Projeto que reservava 5% das vagas de shoppings para recarga de veículos elétricos é vetado em João Pessoa

Na justificativa enviada à Câmara, o prefeito argumentou que a proposta trataria de questões que estariam dentro da competência legislativa da União, especialmente por estabelecer obrigações estruturais sobre propriedades privadas e aspectos relacionados ao setor elétrico.

Carlos Rocha
Carlos Rocha
Nascido em 1988, em Guarulhos (SP), Carlos Rocha é filho de paraibanos e vive em João Pessoa desde o início dos anos 2000. Graduado em Administração de Empresas pela Faculdade Paraibana, ingressou posteriormente no curso de Jornalismo na Universidade Federal da Paraíba (UFPB).Atua no jornalismo digital desde 2013, com passagens por importantes veículos de comunicação da Paraíba. Na TH+ SBT Tambaú, trabalhou nas áreas de Marketing, Reportagem e Produção de Conteúdo Multimídia.Sua atuação é voltada principalmente para política, cidades e temas de interesse público, sempre com foco na apuração rigorosa e na produção de conteúdo de qualidade. Além do jornalismo, é apaixonado por leitura, cinema, séries e cultura pop.
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Foto: Divulgação

O prefeito de João Pessoa, Leo Bezerra, vetou integralmente o projeto de lei que obrigava shopping centers da capital a destinar 5% das vagas de estacionamento para pontos de recarga de veículos elétricos e híbridos. O veto foi encaminhado à Câmara Municipal nesta segunda-feira (24) e publicada no diário oficial nesta terça (25), por meio da Mensagem nº 149/2026, e deverá ser analisado pelos vereadores.

A proposta, de autoria do vereador Guguinha Moov Jampa, corresponde ao Projeto de Lei Ordinária nº 605/2025, transformado no Autógrafo nº 4153/2026.

O que previa o projeto?

O texto determinava que os shoppings teriam seis meses para adaptar as instalações e disponibilizar os pontos de recarga de maneira acessível e segura.

A medida previa a reserva de 5% das vagas dos estacionamentos para veículos elétricos e híbridos que necessitassem de carregamento.

Por que o projeto foi vetado?

Na justificativa enviada à Câmara, o prefeito argumentou que a proposta trataria de questões que estariam dentro da competência legislativa da União, especialmente por estabelecer obrigações estruturais sobre propriedades privadas e aspectos relacionados ao setor elétrico.

A mensagem cita as competências da União para legislar sobre Direito Civil e Comercial e afirma que a instalação de infraestrutura de recarga também envolve padrões técnicos e operacionais relacionados ao fornecimento de energia elétrica.

Outro argumento apresentado foi a possível violação dos princípios da livre iniciativa, livre concorrência e direito de propriedade.

Prefeitura aponta impacto para os shoppings

O Executivo também considerou que a exigência de adaptação dos estacionamentos em seis meses poderia representar um custo significativo para os estabelecimentos.

A Prefeitura questionou ainda a ausência de estudos que considerassem a demanda por pontos de recarga, a capacidade elétrica de cada empreendimento e as diferenças estruturais existentes entre os shoppings da cidade.

Outro ponto contestado foi o dispositivo que previa o uso de dotações orçamentárias próprias para custear as despesas de implementação.

Segundo a justificativa do veto, não houve estimativa do impacto financeiro da medida e o dispositivo poderia interferir na competência do Executivo sobre o orçamento municipal.

Câmara vai reexaminar o veto

Com a decisão, o projeto foi vetado integralmente e será devolvido à Câmara Municipal de João Pessoa.

Os vereadores deverão analisar os argumentos apresentados pelo Executivo e deliberar sobre a manutenção ou rejeição do veto.

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