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A inflação pode ser pior do que te falam

Quando o Estado age “Em nome do povo” e a visão de Bruno Perini

Capa do livro "Em Nome do Povo", escrito por Bruno Perini | Foto: Reprodução

Inflação, na definição dada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é o aumento dos preços de produtos e serviços pertencentes a uma “cesta” criada por meio das entrevistas com a população realizadas pelo instituto. Para que seja calculada essa variação de preços, criaram-se, no Brasil, dois índices que moldam as políticas públicas e influenciam o comportamento dos consumidores. O primeiro é o INPC, Índice Nacional de Preços ao Consumidor, que tende a ser mais circunscrito e mapeia o custo de vida das famílias que possuem renda mensal entre 1 e 5 salários-mínimos. O segundo índice é mais comum de ser visto e engloba uma porção maior da população brasileira, o padrão de consumo daqueles que ganham até 40 salários-mínimos: o IPCA, Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo. Mensalmente, o IBGE calcula a variação de determinados produtos utilizados pelos brasileiros e divulga a média ponderada dessa variação por meio desses índices.

Porém, Bruno Perini, educador financeiro, investidor e conhecido influenciador na área de finanças, convida o leitor a questionar os efeitos da inflação em seu livro “Em nome do povo”, publicado em 2024. De acordo com o educador, se já seria complicado direcionar as políticas de um país pequeno por meio de médias tão imprecisas como IPCA e INPC, mais problemático é considerar que a inflação divulgada pelo IBGE representa de forma realista a situação dos preços em um país de proporção continental como o Brasil.

O Estado, ao assumir o cálculo das médias como principal forma de análise de variação de preços, substitui as necessidades, os objetivos e os hábitos individuais pela planificação de um comportamento que se supõe coletivo. Mesmo sem consumir a mesma marca de um produto, sem ter a mesma necessidade ao buscar um serviço e sem ter os mesmos costumes e experiências, o cidadão que ganha 1 salário-mínimo entra na mesma estatística que aquele que ganha 40 salários.

Em maior ou menor grau, todos compartilham daquela sensação de que os produtos, apesar de serem praticamente os mesmos há anos, ficaram mais caros. Isso é a percepção mais imediata da inflação real, aquela que os índices não mostram. Como aponta Perini, longe de ser um problema criado pelos produtores, ela seria fabricada pelo Estado através do aumento da oferta monetária, isto é, da ampliação da quantidade de moeda no país estimulada por linhas de crédito, emissão de dívida e impressão de dinheiro. Quanto mais moeda, menos ela vale. Se ela vale menos, o poder de compra diminui. Esse movimento, que tende a afetar mais as famílias de baixa renda, é materializado, assim, no aumento nominal dos valores dos produtos, os preços que vemos no mercado.[1]

O efeito da inflação real, portanto, é sentido, primeiro, entre aqueles que buscam e precisam guardar dinheiro. Mesmo investindo em ações que garantem rendimentos acima da inflação, o investidor constata que seu poder de compra não aumenta e seus ganhos não cobrem os seus hábitos da mesma forma que antes. Como a moeda tende à desvalorização, torna-se, assim, mais interessante contrair dívidas do que investir. Em um prazo maior, o cidadão percebe mais os efeitos da inflação real quando começa a receber mais estímulos para gastar mais no presente e saciar uma demanda de curto prazo do que poupar para o futuro, já que, no futuro, seu dinheiro não valerá tanto.

Por fim, a tese central defendida no livro por Bruno Perini aponta, assim, para uma situação mais grave. A inflação, diz o autor, é “uma escolha política, defendida com unhas e dentes não apenas por governantes, mas até mesmo pelo grosso da população”. Por um lado, por falta de educação financeira, a população prefere que os governos se endividem e imprimam mais moeda para garantir serviços públicos, fazendo, com o tempo, que o dinheiro perca seu valor e que o poder de consumo caia vertiginosamente. Por outro lado – esse mais impactante –, prometendo agir em nome do povo, o Estado age contra o indivíduo a fim de se sustentar no curto prazo eleitoral de 4 anos. Prefere que a moeda continue desvalorizada para que possa emitir mais dívidas, para que possa oferecer mais serviços, repetindo o histórico ciclo inflacionário brasileiro.

[1] Nota-se que o autor indica que as produções referentes à tecnologia são uma exceção por se atualizarem constantemente.

**A coluna não expressa, necessariamente, a opinião do Grupo Thathi de Comunicação 

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