‘Eu só tenho a agradecer’ diz pai de gêmeas siamesas que morreram durante separação

Amarildo Batista da Silva retornou ao Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto após morte das filhas duarante cirurgia de separação

Giovanna Laranjo
Giovanna Laranjo
Formada em Jornalismo pela PUC-Campinas, atua na produção de conteúdo para mídias digitais, com experiência em televisão e apresentação. Voluntária na Copa do Mundo FIFA Qatar 2022, apaixonada por esportes, música e literatura.
Reprodução

O pai das gêmeas Helena e Heloísa, Amarildo Batista da Silva, retornou ao Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto para agradecer a equipe médica que operou suas filhas.

As meninas eram gêmeas siamesas e morreram durante a cirurgia de separação, no último sábado (15).

Apesar da perdar, Amarildo reconhece o trabalho dos profissionais que acompanharam as crianças ao longo do processo de separação. Em seu depoimento emocionado, o pai de Helena e Heloísa, deixa uma mensagem de conforto e gratidão aos médicos.

“Eu só tenho a agradecer e quero que os doutores, da cirurgia, da pediatria, o HC inteiro, continuem na força e na fé que vocês tem que da tudo certo. Cada criança que vocês perdem é uam derrota, cada criança que vocês conseguem salvar é uma vitória e eu tenho certeza que vocês tem muito mais vitórias do que derrotas. Fique forte e fé em deus”, diz o pai.

Confira o depoimento completo:

Sobre o caso

As meninas, de 2 anos e 7 meses, estavam unidas pela cabeça e passaram por cinco etapas cirúrgicas desde agosto de 2025.

Segundo os médicos, a cirurgia final começou no sábado (15) e durou cerca de 15 horas. A separação completa foi concluída por volta das 23 horas, quando foram desligadas as últimas estruturas que ainda ligavam as irmãs.

Logo depois, porém, as meninas apresentaram instabilidade hemodinâmica. Uma delas estava com pressão arterial elevada, enquanto a outra apresentava pressão baixa. Helena sofreu uma parada cardiorrespiratória cerca de dois minutos depois da separação. Heloísa teve a parada aproximadamente 12 minutos depois da irmã. A equipe realizou manobras de reanimação e utilizou medicamentos e os recursos disponíveis, mas não conseguiu reverter o quadro.

Os médicos explicaram que, até a última cirurgia, cerca de 75% das estruturas compartilhadas, entre cérebro e vasos sanguíneos, já haviam sido separadas. A etapa final foi planejada para concluir os 25% restantes, após meses de preparação para reduzir os riscos do procedimento.

Heloísa e Helena foram o terceiro caso de gêmeas unidas pela cabeça tratado pelo HC de Ribeirão Preto. Os dois casos anteriores, em 2018 e 2023, tiveram a separação concluída com sucesso.

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