A Polícia Civil intensifica alertas sobre o chamado “golpe do investimento”, uma fraude que se multiplica por diversas regiões do Brasil seguindo um padrão bem definido. A vítima é atraída por uma suposta oportunidade de investimento, acompanha “ganhos” em uma plataforma online e, quando tenta sacar o valor, recebe a exigência de um novo pagamento — geralmente apresentado como taxa, imposto, caução, comissão ou “percentual para liberação”. Na maioria dos casos, essas exigências são falsas e servem para prolongar o golpe.
O delegado de polícia Higor Vinícius Nogueira Jorge, de Santa Fé do Sul (SP), explica que os criminosos utilizam linguagem técnica, aparência de profissionalismo e pressão psicológica para capturar a confiança do investidor. “Eles constroem uma narrativa de credibilidade, muitas vezes citando sedes no exterior e até instituições financeiras conhecidas, para dar sensação de segurança. Mas o ponto central é: quando o saque é solicitado, criam uma barreira artificial e passam a exigir depósitos adicionais”, afirma.
A fraude pode começar por indicação de conhecidos, anúncios em redes sociais ou contato direto por aplicativos de mensagem. A vítima passa a ser atendida por supostos “corretores”, “consultores” ou “representantes” que conduzem a conversa quase sempre por WhatsApp ou Telegram.
A plataforma utilizada exibe números atrativos e gráficos de desempenho, reforçando a impressão de rentabilidade real, mas na verdade trata-se apenas de um painel com números sem transparência ou documentação consistente.
O Sinal Mais Evidente de Golpe
Quando questionado sobre o indício mais característico de fraude, Higor é direto: “A exigência de pagamento prévio para liberar saque é, talvez, o sinal mais característico. Se alguém diz que você precisa depositar um percentual do valor para poder retirar o que é seu, a orientação é: pare imediatamente, não transfira mais nada e desconfie”.
O delegado explica que os golpistas exploram justamente esse momento, porque a vítima já colocou dinheiro e fica emocionalmente inclinada a “pagar só mais essa taxa” para recuperar tudo, ampliando progressivamente o prejuízo.
Técnicas de Persuasão
Os criminosos frequentemente citam nomes de bancos e empresas famosas em seus discursos. “Citar instituição conhecida não comprova nada. É uma técnica de persuasão. Eles falam em ‘processamento internacional’, ‘compliance’, ‘auditoria’, usam expressões para confundir e criar autoridade. Por isso, qualquer confirmação deve ser feita por canais oficiais, e não pelo telefone, link ou contato que o suposto corretor fornece”, alerta o delegado.
Medidas de Prevenção
Para prevenir o golpe, o delegado recomenda medidas simples, mas decisivas. Antes de investir, é indispensável verificar se a empresa existe de forma transparente, se há dados completos e verificáveis, responsáveis identificáveis e canais oficiais de atendimento. Também é importante pesquisar fora do ambiente apresentado por quem está oferecendo o investimento, sem se basear em prints, depoimentos e “provas” enviadas pelo próprio interlocutor.
“Nunca se decide sob pressão. Investimento sério admite análise, contrato claro e checagem objetiva. Quando alguém tenta apressar a decisão, isso costuma ser um sinal de risco”, pontua o delegado.
Na prática, a população deve adotar regras de segurança que evitam a maioria dos casos: não enviar documentos, selfies, dados bancários e comprovantes para supostos suportes desconhecidos; não instalar aplicativos por links enviados por terceiros; desconfiar de pedidos de acesso remoto ao celular ou computador; e jamais transferir valores para pessoas físicas ou contas “de terceiros” sob justificativas genéricas de “intermediação” ou “setor financeiro”.
O Que Fazer em Caso de Fraude
Se a pessoa suspeitar que caiu na fraude, a recomendação é agir rápido e com método. A primeira medida é interromper pagamentos e cessar a negociação, pois manter contato costuma ampliar o prejuízo. Na sequência, é essencial preservar todas as provas: conversas, links, nomes, perfis, e-mails, números, prints da plataforma, datas e comprovantes.
O delegado orienta a procurar o banco imediatamente para comunicar o ocorrido e receber instruções sobre medidas cabíveis, além de registrar boletim de ocorrência o quanto antes, levando toda a documentação.
Após o golpe, é comum que a vítima seja novamente abordada por supostos “especialistas” prometendo recuperar valores mediante taxa. “Muitas vezes é um segundo golpe, dirigido a quem já está fragilizado. A pessoa precisa saber que promessas fáceis e pressões para pagamento são sinais de fraude. Informação e cautela são as melhores formas de prevenção”, conclui Higor.



