O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) mudou o tom em relação à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) nesta segunda-feira (28), durante uma agenda eleitoral em São Paulo. Após ter acusado integrantes da entidade de colaborar com a circulação de informações falsas sobre Nossa Senhora Aparecida, o senador afirmou que a CNBB havia esclarecido o episódio.
Na ocasião, uma imagem de Nossa Senhora Aparecida foi entregue ao candidato. Em seguida, Flávio e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), levantaram juntos a representação da santa diante do público.
O movimento ocorreu um dia depois de Flávio ter afirmado, em Goiânia, que pessoas ligadas à CNBB teriam ajudado na disseminação da informação de que ele pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. A entidade, entretanto, negou participação na produção ou divulgação de informações falsas relacionadas às eleições.
Flávio Bolsonaro muda tom após resposta da CNBB
Durante a agenda em São Paulo, Flávio afirmou que aguardava uma manifestação da CNBB e avaliou que o documento divulgado pela instituição esclareceu a questão.
O candidato voltou a negar qualquer intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. Além disso, afirmou que considera falsa a informação que circulou nas redes sociais durante os últimos dias.
No entanto, embora tenha agradecido à CNBB pela manifestação, Flávio manteve críticas à atuação de adversários políticos e atribuiu a circulação da narrativa a setores ligados ao PT. Essas acusações fazem parte das declarações do candidato e não foram apresentadas, nas informações públicas consultadas, como fatos comprovados.
CNBB nega envolvimento em desinformação
A CNBB divulgou uma nota de esclarecimento na qual afirmou não ter produzido, autorizado ou participado da elaboração ou divulgação de informações falsas relacionadas ao processo eleitoral.
Além disso, a entidade declarou que não integra estruturas político-partidárias ou de candidaturas. Segundo a instituição, suas manifestações durante o período eleitoral estão relacionadas à sua atuação pastoral e a princípios como democracia, liberdade de consciência e bem comum.
Dessa forma, a CNBB rejeitou a associação feita por Flávio entre integrantes da instituição e a disseminação da informação sobre Nossa Senhora Aparecida.
Imagem de Nossa Senhora Aparecida é erguida durante ato
Em meio à repercussão do episódio, a imagem de Nossa Senhora Aparecida foi entregue a Flávio Bolsonaro durante o evento realizado em São Paulo.
Na sequência, o candidato e Tarcísio de Freitas ergueram a imagem diante do público. O gesto ocorreu enquanto Flávio reforçava sua posição de respeito às diferentes religiões.
O candidato também afirmou ser evangélico e disse respeitar tanto outras religiões quanto pessoas que não possuem religião. Nesse sentido, defendeu que o Estado não deve interferir nas regras internas das diferentes tradições religiosas.
Polêmica sobre Nossa Senhora Aparecida chegou ao STF
A controvérsia também ganhou dimensão jurídica. O caso passou pelo Supremo Tribunal Federal (STF) após decisões divergentes envolvendo publicações nas redes sociais relacionadas à afirmação de que Flávio Bolsonaro poderia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil.
Inicialmente, o ministro André Mendonça havia determinado a retirada de determinadas publicações e restringido conteúdos que apresentassem como verdadeira a informação sobre uma suposta intenção de Flávio ou de sua família de alterar o título da santa.
Posteriormente, o ministro Flávio Dino derrubou a decisão. Entre os argumentos apresentados, estava a ausência de elementos suficientes para caracterizar ilegalidade na publicação analisada. Agora, Dino solicitou que o caso seja analisado pelo plenário do Supremo.
Como começou a polêmica?
A discussão ganhou força depois que passou a circular nas redes sociais uma informação segundo a qual Flávio Bolsonaro teria intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida a condição de Padroeira do Brasil.
A campanha do candidato negou a existência de uma proposta com esse objetivo. Além disso, informações que circularam durante a semana relacionaram o episódio a um projeto apresentado em 2007 pelo então deputado Victório Galli, que acabou arquivado em 2008. O projeto não foi apresentado por Flávio Bolsonaro.
Posteriormente, o assunto passou a envolver manifestações de diferentes grupos políticos, publicações nas redes sociais e decisões da Justiça Eleitoral e do STF.
Disputa eleitoral amplia repercussão do caso
A controvérsia ocorre durante a reta final do primeiro turno das Eleições 2026, marcado para 4 de outubro.
Nesse cenário, a discussão sobre Nossa Senhora Aparecida passou a ocupar espaço no debate eleitoral, envolvendo religião, desinformação e limites das manifestações políticas nas redes sociais.
Ao mesmo tempo, a CNBB reforçou publicamente que não participa de estruturas partidárias ou de candidaturas e defendeu responsabilidade na circulação de informações durante o processo eleitoral.
Portanto, o episódio reúne três frentes distintas: a disputa política em torno da narrativa sobre Nossa Senhora Aparecida, a manifestação institucional da CNBB e a discussão judicial sobre conteúdos publicados durante a campanha.
O caso permanece em andamento no Supremo, enquanto a campanha eleitoral entra em sua fase decisiva.




