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Aeronáutica envia 108 de 1.749 toneladas de doações por dificuldades logísticas

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – A FAB (Força Aérea Brasileira) identificou uma série de dificuldades logísticas para a distribuição de doações para as cidades mais afetadas pelas chuvas no Rio Grande do Sul —entraves que dificultam o envio de roupas e garrafas d’água para os gaúchos.

Segundo levantamento da Aeronáutica, somente 6% das doações foram enviadas ao Sul até a noite de quinta-feira (9). Ao todo, 108 de 1.749 toneladas arrecadadas desde sexta (3) aterrissaram no estado.

Oficiais da Força Aérea afirmaram à Folha de S.Paulo que as equipes envolvidas na operação no Rio Grande do Sul têm relatado duas principais dificuldades para a distribuição das doações. A primeira é o fato da Base Aérea de Canoas ser pequena e não ter capacidade para armazenar tantos itens.

Os militares ainda têm enfrentado impasses para distribuir as doações com o nível da água ainda alto em Porto Alegre e demais regiões afetadas próximas à capital.

Por isso, a grande quantidade de itens recebidos pela FAB não têm vazão tão rápida, e os bens arrecadados devem ser distribuídos ao longo de semanas.

“Esse fluxo de aeronaves, aviões e contêineres vai manter minimamente a sustentação dessa operação [de envio de doações], porque a gente sabe que isso vai muito longe”, disse o comandante da Aeronáutica, brigadeiro Marcelo Damasceno.

A Força Aérea centralizou as doações da campanha “Todos Unidos pelo Sul” nas bases aéreas do Galeão, no Rio de Janeiro, de São Paulo e de Brasília. As áreas militares ficam abertas das 8h às 18h, sem necessidade de agendamento prévio para entregar os donativos.

“Toda doação para a campanha é recebida por militares da FAB. É válido destacar, no entanto, que a sugestão de doação prioritária é a de itens não perecíveis”, disse a Aeronáutica, em nota.

Segundo a FAB, a logística de distribuição é “planejada conforme a necessidade de alocação e distribuição do material doado no estado do Rio Grande do Sul”.

Na Base Aérea de Brasília, dois hangares foram tomados por doações. Há montes de caixas e sacos com roupas, e engradados de garrafas d’água são empilhados para caber no local.

Alimentos não perecíveis, papel higiênico e sacos com ração para cachorros e gatos também são amontoados em grande quantidade no pátio em que costumam ficar estacionadas as aeronaves do Esquadrão Guará.

A Força Aérea Brasileira está atuando em conjunto com as demais Forças Armadas e órgãos de segurança do Rio Grande do Sul para enviar doações e resgatar vítimas da catástrofe que assola o estado.

São 17 aeronaves usadas pela FAB —entre elas o KC-390, cuja capacidade é de 26 toneladas, e o KC-30, de 45 toneladas.

A última atualização sobre a operação foi feita pela Aeronáutica às 20h de quinta. Havia 2.346 militares da Força envolvidos no apoio aos gaúchos, e 2.167 pessoas tinham sido resgatadas.

Foram salvo ainda 232 animais domésticos, feitas 53 evacuações aeromédicas e transportadas 395 toneladas de material de apoio —incluindo um hospital de campanha montado pela Marinha em Guaíba (RS).

A FAB atua com o Ministério de Portos e Aeroportos na logística para a retomada de voos comerciais no Rio Grande do Sul. O plano envolve a abertura de bases militares para companhias aéreas, com foco inicial em Canoas (RS).

A abertura se dará em três fases. A primeira, que começou na quarta, foi uma parceria da FAB com a Azul Linhas Aéreas para o envio de mantimentos arrecadados pela empresa.

A segunda fase da operação começou no dia seguinte com a participação de quatro companhias aéreas realizando voos humanitários, para envio de mantimentos e doações para as vítimas dos temporais no Rio Grande do Sul.

A terceira e última fase envolve o transporte de cidadãos gaúchos que se encontram fora do estado e de turistas que ficaram presos no Rio Grande do Sul. A expectativa é que os voos comecem a ser realizados na próxima semana.

CÉZAR FEITOZA / Folhapress

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