“Fim do futebol brasileiro” – Clubes fazem manifesto contra veto a bets

Apesar da medida, representantes do futebol reconhecem os problemas sociais relacionados às apostas, especialmente entre pessoas em situação de vulnerabilidade.

Os clubes fizeram um manifesto contra a mobilização do governo de editar uma Medida Provisória visando à proibição de bets no Brasil.

Os dirigentes tiveram uma reunião na tarde desta quinta-feira (17) em que coordenaram o conteúdo do texto e o tom do discurso em defesa da manutenção da atividade no país.

O QUE ACONTECEU

A reportagem apurou que a mobilização partiu de São Paulo, por meio da Federação Paulista de Futebol e de clubes do estado. A articulação avançou e passou a envolver também as federações do Rio de Janeiro, do Rio Grande do Sul e de Minas Gerais, além de equipes desses estados.

As conversas foram ampliadas gradualmente, com a adesão de diferentes representantes do futebol brasileiro à iniciativa. O objetivo foi construir um posicionamento conjunto diante da possibilidade de mudança na legislação sobre as apostas esportivas.

Os clubes vão alardear que essa medida, se de fato ocorrer, será o “fim do futebol brasileiro”.

Representantes de casas de apostas participaram da reunião nesta quinta-feira (17) no Rio, trazendo uma perspectiva do lado deles sobre o impacto eventual da proibição das atividades.

IMPACTO NAS RECEITAS

Os clubes batem na tecla de que todas as principais receitas deles são diretamente ou indiretamente impactadas pelo dinheiro de apostas. A exceção é a verba com transferências de jogadores.

O olhar imediato em caso de proibição vai para impacto em patrocínios. nesta quinta-feira (17), 13 clubes da Série A têm contratos de patrocínio master com casas de apostas. A estimativa é de R$ 1 bilhão de impacto aproximado com essa linha de receita.

Mas há outro ponto mencionado pelos clubes na conversa: as receitas das empresas que compram direitos de transmissão são turbinadas pela publicidade das casas de apostas. Um corte total pode tirar o poder de compra das emissoras, o que impacta também em verbas de premiação nas competições.

Um terceiro item é o dinheiro que os clubes arrecadam com publicidade estática e placas nos estádios.

MERCADO REGULADO

Os representantes do futebol reconhecem os problemas sociais relacionados às apostas, especialmente entre pessoas em situação de vulnerabilidade. A posição defendida, porém, é que esses impactos sejam enfrentados por meio de fiscalização, prevenção e políticas de proteção, sem a interrupção do mercado regulado.

Também há o entendimento de que uma eventual proibição poderia direcionar apostadores para plataformas irregulares, que não recolhem impostos nem estão submetidas aos mecanismos de controle previstos na legislação brasileira.

Os clubes destacam ainda que os recursos do setor não estão restritos às equipes de maior receita. Esses investimentos também alcançam divisões de acesso, clubes do interior, categorias de base e áreas com menor capacidade de arrecadação própria.

Em relação ao aspecto jurídico, o contrato dos clubes com as casas de apostas estabelecem gatilhos para rescisão em caso de mudança de legislação que inviabilize a atividade. Mas esse é um dispositivo que nenhuma das partes quer acionar.

 

Redação / Folhapress

 

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