Morre Gloria Steinem, jornalista que foi pioneira do feminismo, aos 92 anos

Steinem foi uma das principais figuras do feminismo no mundo na década de 60, abordando diversos temas considerados tabus à época

Reprodução/Redes Sociais

Morreu nesta quarta-feira (2), aos 92 anos, a jornalista, escritora e ativista que foi pioneira do feminismo Gloria Steinem. A morte foi divulgada nas redes sociais de sua fundação, que não informou a causa.

“Ontem, Gloria Steinem morreu pacificamente em sua casa, em Nova York, cercada por algumas das muitas pessoas que a amavam. Os quase cem anos de Gloria na Terra foram anos bem vividos, e ela continuou trabalhando pela igualdade até o fim”, diz a publicação.

“O maior dom de Gloria era sua capacidade de ouvir os outros, de fazer com que as pessoas se sentissem vistas e ouvidas. Suas palavras, suas ações e seu exemplo deram às pessoas permissão para serem quem realmente eram. Gloria viveu fiel ao seu espírito independente, sempre com curiosidade e um grande senso de humor”, segue o texto.

“Em vez de flores, Gloria pediu que aqueles que desejarem homenageá-la com um presente façam uma doação à Fundação Gloria.”

Steinem foi uma das principais figuras do feminismo no mundo, responsável por projetar o movimento política e culturalmente a partir dos anos 1960. Ao integrar a chamada segunda onda do feminismo, a americana usou o jornalismo para debater temas considerados tabus à época, como direitos reprodutivos e igualdade entre homens e mulheres.

Eles foram levados às páginas da revista Ms., que ela ajudou a fundar no início dos anos 1970, ao lado de Dorothy Pitman Hughes. Ela foi publicada mensalmente entre 1972 e 1987.

Nascida em Toledo, no estado de Ohio, em 1934, Steinem começou a carreira como jornalista e ganhou notoriedade em reportagens investigativas. Entre os livros que escreveu está “Minha Vida na Estrada”, em que narra suas experiências como viajante e porta-voz do feminismo pelo mundo.

Uma “empreendedora das mudanças sociais”, como gostava de se referir a si mesmo, Steinem viveu seu despertar feminista depois dos 30 anos de idade, em 1969, quando compareceu, como jornalista, a um debate sobre mulheres que discutiam seus abortos ilegais.

Com o conhecimento e o acesso que tinha na profissão, ela foi rapidamente se transformando num dos principais rostos do feminismo no mundo. Nas décadas seguintes, a jornalista liderou marchas e protestos, organizou conferências e publicou reportagens e manifestos sobre os direitos das mulheres.

Como força política de um país em transformação, levou para os holofotes debates relacionados ao estupro, ao aborto, aos direitos reprodutivos, à vida doméstica, à presença no mercado de trabalho e à forma como a pobreza atingia as mulheres de então.

Há seis anos, ela foi homenageada numa cinebiografia dirigida por Julie Taymor, “As Vidas de Gloria”, ou “The Glorias”. Julianne Moore encarnou a ativista, num elenco que tinha ainda Alicia Vikander e Janelle Monáe.

Além de “Minha Vida na Estrada”, sua obra literária inclui ainda outros livros não traduzidos no Brasil, como “Revolution from Within: A Book of Self-Esteem” e “The Truth Will Set You Free, But First It Will Piss You Off!: Thoughts on Life, Love, and Rebellion”. O último deles, “An Unexpected Life”, deve sair neste mês nos Estados Unidos.

Redação / Folhapress

COMPARTILHAR:

Participe do grupo e receba as principais notícias de Campinas e região na palma da sua mão.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do WhatsApp.

NOTÍCIAS RELACIONADAS