A Polícia Civil de Minas Gerais recuperou parte dos objetos roubados pela diarista suspeita de mantar casal de idosos com ao menos 24 facadas em Belo Horizonte.
Seis relógios e dois tênis da marca Lacoste foram devolvidos. A corporação informou hoje, em nota, que dois compradores dos produtos compareceram ontem, acompanhados de seus advogados ao Departamento Estadual de Investigação de Crimes Contra o Patrimônio, onde foram ouvidos.
Os itens foram apreendidos. Conforme a polícia, após passar por procedimentos legais necessários, eles serão restituídos aos familiares das vítimas. Ainda não houve a restauração total do que foi levado.
Três relógios e um colar já haviam sido recuperados na última quinta-feira. As joias foram localizadas e devolvidas por um comprador, que as autoridades acreditam que não tenha “agido de má-fé” na compra.
Além dos objetos levados, delegado informou que Paola Stefany, 30, tentou trocar limite do cartão do casal por dinheiro. Segundo Gustavo Barletta, ela procurou um estabelecimento e ofereceu uma compra de cerca de R$ 4 mil no cartão de crédito das vítimas em troca de dinheiro em espécie. Ela propôs que o comerciante ficasse com parte do valor como comissão. O relato foi feito pelo próprio dono de restaurante, que procurou à polícia.
Investigação continua. A Polícia Civil informou apenas que o caso segue em apuração, com a realização de depoimentos. A principal linha de investigação é de latrocínio, crime de roubo seguido de morte.
Diarista é suspeita de matar advogado e empresária em Belo Horizonte
O advogado Cláudio Atala Inácio, 75, e a esposa, a empresária Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, 76, foram mortos a facadas dentro de apartamento. A perícia apontou que o o homem foi atingido por 17 facadas, enquanto a mulher com sete golpes. Os dois foram encontrados mortos no imóvel onde moravam, no bairro São Pedro, em Belo Horizonte.
Investigação apura possível latrocínio. A polícia não encontrou sinais de arrombamento no apartamento, mas identificou uma gaveta revirada onde eram guardadas semijoias. Familiares também relataram o desaparecimento de objetos, como celulares e uma bolsa de grife.
“Para vocês terem uma ideia da cena que a equipe teve no local, a cena foi grotesca, muito sangue casa afora. Foi de extrema barbárie e violência a forma como esses idosos foram acionados. Só para vocês terem uma ideia, a senhora tinha sete facadas no corpo e o homem, 17. Isso por si só já denota quão intencionada esta autora estava em ceifar a vida dos idosos“, disse a Polícia Civil em coletiva de imprensa.
Filho encontrou os pais mortos. O casal foi localizado após o filho estranhar a falta de contato desde a manhã do dia 29 de junho. Segundo a Polícia Militar, Maria Clotilde estava caída na sala, enquanto Cláudio foi encontrado sobre a cama de um dos quartos.
Polícia encontrou roupa com manchas de sangue. A peça foi localizada em uma caçamba de lixo e, segundo os investigadores, pode ter sido descartada pela suspeita durante a fuga. O material será submetido à perícia.
Câmeras registraram entrada e saída da suspeita. Imagens do circuito de segurança mostram que a diarista entrou no condomínio por volta das 7h e deixou o prédio às 15h30. Segundo a investigação, ela saiu usando roupas diferentes das que vestia ao chegar e carregava uma sacola que seria de uma das vítimas.
Suspeita confessou o crime, segundo a polícia. Paola admitiu ter matado o casal e afirmou que vendeu por cerca de R$ 3 mil objetos levados do apartamento, como relógios, bolsa e celulares. Os agentes teriam encontrado com ela o valor de R$ 18 mil em dinheiro.
“A gente pode estimar em R$ 200 mil, mas esses valores na revenda no mercado paralelo é fantasioso, ela inclusive confessou que vendeu tudo por R$ 3.300. Não acho que deve ser mentira porque, realmente, na rua, o que vale é o momento, a rapidez“, disse Gustavo Barletta, delegado.
Defesa de diarista reafirma confiança no Judiciário. Em nota enviada a reportagem, o advogado Bruno Correa disse que apresentará seus argumentos no momento oportuno, com base nas provas do processo. Também sustentou que a responsabilidade da investigada deve ser definida apenas ao fim da instrução processual, e não por julgamentos antecipados ou pela repercussão do caso.
“Neste momento, a defesa reafirma sua confiança no Poder Judiciário e ressalta que qualquer conclusão acerca da responsabilidade da investigada deve decorrer exclusivamente da regular instrução processual, e não de julgamentos antecipados ou da repercussão do caso”, disse a Defesa de Paola em nota enviada.
Advogado atuava em Belo Horizonte. Cláudio fundou, em 1995, o escritório Atala Inácio & Advogados Associados. Era formado e pós-graduado em Direito Empresarial pela PUC Minas.
OAB-MG lamentou a morte. A seccional mineira informou que acompanhará as investigações e anunciou a criação de uma comissão especial para atuar como assistente de acusação no processo criminal, caso haja denúncia.
Empresária teve loja de decoração. Maria Clotilde era empresária e foi proprietária de uma loja de presentes e artigos de decoração no bairro São Pedro. A Polícia Civil ainda investiga a motivação e a dinâmica do crime.
Redação / Folhapress
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