Senadoras vestem minissaias após vice-premier italiano associar tamanho da roupa à fidelidade

Após declaração, Tajani se desculpou pela fala e disse que não tinha a intenção de ofender nenhuma mulher.

Imagem: Reprodução Redes Sociais

Onze senadoras de três partidos na Itália – o Partido Democrático, Italia Viva e AVS- vestiram minissaias em protesto, na última terça-feira (22), contra uma fala feita pelo vice-premier e ministro das Relações Exteriores, Antonio Tajani.

Em um vídeo, o político italiano disse que, se fosse aconselhar o seu filho entre ficar com uma mulher mais charmosa, que usasse roupas mais “chamativas”, ou com uma mulher mais séria, ele deveria escolher a segunda, pois a primeira não seria dedicada à família e teria uma tendência maior a trair.

“A mais chamativa [referindo-se à mulher hipotética] pode ser boa por um dia”, afirmou Tajani. “Mas, se me perguntarem se eu prefiro ficar com ela ou com a mulher mais séria, que usa uma saia longa, eu aconselharia sempre escolher a mais confiável.”

Outras figuras dentro da política italiana também se manifestaram contra a fala do ministro. A ex-prefeita de Turim e deputada, Chiara Appendino, fez uma publicação em suas redes sociais usando uma minissaia, na qual questionou se ela, que é mãe, não seria uma mulher confiável pela roupa que está usando.

“Nossa confiabilidade não se mede em centímetros de tecido. Vamos sair da Idade Média”, concluiu.

O caso também chegou à Igreja Católica, com o secretário-geral da Conferência Episcopal Italiana (CEI) -organização que representa os bispos do país-, monsenhor Giuseppe Batur, comentando sobre o caso.

“Cada palavra, cada olhar sobre uma mulher deve ser carregado de respeito e admiração”, disse Batur à agência de notícias Ansa.

Tajani, que está em Nova York para a Assembleia Geral das Nações Unidas, se desculpou pela fala e disse que não tinha a intenção de ofender nenhuma mulher.

 

MATEUS MARTINEZ / Folhapress

 

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