Serviços e varejo crescem em 2023, enquanto indústria patina

Rows of shelves with goods boxes in huge distribution warehouse at industrial storage factory.

O setor de serviços e as vendas do varejo mostraram crescimento em 2023, enquanto a produção industrial fechou o acumulado do ano praticamente estagnada, indicam pesquisas do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Para 2024, analistas esperam uma desaceleração da atividade econômica, uma vez que indicadores setoriais já sinalizaram perda de ritmo no final de 2023, e a safra agrícola não deve repetir o mesmo desempenho positivo do ano passado.

Nesta sexta-feira (9), o IBGE divulgou que o volume do setor de serviços fechou 2023 com alta acumulada de 2,3%. Foi o terceiro ano consecutivo de avanço do segmento, o que não ocorria desde o período de 2012 a 2014.

As vendas do varejo também ficaram no azul em 2023, com alta acumulada de 1,7%, segundo dados publicados pelo instituto na quarta (7). Foi o sétimo ano de crescimento em sequência do comércio.

A produção industrial, por sua vez, fechou 2023 com desempenho mais tímido do que os outros dois setores. A variação acumulada foi de apenas 0,2%, após queda de 0,7% em 2022, conforme dados divulgados pelo IBGE no início deste mês.

De acordo com Sergio Vale, economista-chefe da consultoria MB Associados, a indústria sentiu no ano passado tanto entraves estruturais quanto questões conjunturais, incluindo os juros elevados, que encareceram a produção.

“A indústria está praticamente parada desde o pós-crise de 2015 e 2016. Isso não vem de agora, não foi só o efeito dos juros altos. Tem o impacto de questões estruturais também, como a falta de abertura econômica”, afirma Vale.

Nos casos de serviços e varejo, analistas dizem que fatores como a retomada do emprego e da renda, a trégua da inflação e os benefícios sociais ajudaram os negócios.

O desempenho positivo da safra agrícola também respingou em atividades de prestação de serviços e comércio no ano passado, aponta Vale. “As commodities têm um efeito de espalhamento na economia”, diz.

Apesar do desempenho positivo no acumulado do ano, os serviços e o varejo já indicaram perda de ritmo no final de 2023, segundo analistas.

Em dezembro, o volume do setor de serviços subiu 0,3% na comparação com novembro, informou o IBGE nesta sexta. O resultado veio após avanço de 0,9% na divulgação anterior.

O novo dado ficou abaixo das estimativas do mercado financeiro. Analistas projetavam uma variação de 0,7% para os serviços em dezembro, conforme pesquisa da agência Reuters.

“Nossa visão para os serviços permanece sendo de desaceleração compatível com uma acomodação do ritmo de crescimento da atividade, dada a base de comparação elevada”, disse João Savignon, diretor de pesquisa macroeconômica da Kínitro Capital.

“Há arrefecimento mais claro dos setores que vinham sendo os motores do crescimento dos serviços, como transportes, mas, por outro lado, algumas atividades que estavam mais atrasadas voltaram a andar, como os serviços prestados às famílias”, acrescentou.

Na leitura mensal, as vendas do varejo caíram 1,3% em dezembro ante novembro. O resultado veio após leve variação positiva de 0,1% na divulgação anterior.

“A economia está mostrando desaceleração, depois de um crescimento forte. É uma certa estagnação”, afirma Vale, da MB.

Apesar de ter ficado para trás no acumulado do ano, a produção industrial deu sinais de alguma melhora no segundo semestre, conforme o economista Igor Cadilhac, do PicPay.

Em dezembro, as fábricas registraram crescimento de 1,1%, de acordo com o IBGE. Foi o quinto mês consecutivo de crescimento do setor. Uma das possíveis explicações para esse movimento é a normalização dos estoques após a pandemia, diz Cadilhac.

Ele afirma que a economia dá sinais de desaceleração em uma visão mais geral, mas considera que essa perda de força tende a ser menos intensa do que a prevista inicialmente por economistas. “A desaceleração está acontecendo, mas está sendo cada vez mais fraca.”

Em uma tentativa de estimular a indústria, o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lançou um plano de estímulos para o setor em janeiro. Uma ala de economistas criticou a iniciativa, por enxergar o retorno de práticas já adotadas em gestões anteriores do PT.

SERVIÇOS PRESTADOS ÀS FAMÍLIAS ULTRAPASSAM PRÉ-PANDEMIA

Um dos destaques positivos da pesquisa de serviços divulgada nesta sexta pelo IBGE foi o desempenho dos serviços prestados às famílias. A categoria abrange negócios de alojamento e alimentação, como hotéis e restaurantes.

Em dezembro, o volume dos serviços prestados às famílias cresceu 3,5% ante novembro. Com o resultado, ultrapassou pela primeira vez o patamar pré-pandemia, de fevereiro de 2020. Essa era a única atividade de serviços que ainda não havia alcançado o nível pré-crise.

Rodrigo Lobo, gerente da pesquisa do IBGE, lembrou que os serviços prestados às famílias sofreram com as restrições à circulação de pessoas na pandemia. Esse cenário, de acordo com ele, estimulou a substituição do consumo de serviços por bens.

Na crise sanitária, por exemplo, as famílias trocaram refeições em restaurantes pelo preparo de pratos em casa a partir de ingredientes comprados nos supermercados.

Com o fim das restrições, a trégua da inflação e a melhora da renda, o consumo dos serviços presenciais foi estimulado, avaliou Lobo.

Economistas projetam crescimento próximo a 3% para o PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil em 2023 -o dado será divulgado em 1º de março pelo IBGE.

Para 2024, a estimativa é de uma alta menor. A previsão do boletim Focus, divulgado pelo BC (Banco Central), está em 1,6%.

LEONARDO VIECELI / Folhapress

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