Esquema de sonegação de impostos é descoberto: R$3,8 bilhões foram desviados

A Operação Distrato cumpriu 38 mandados de busca e apreensão, mais de 750 empresas estavam envolvidas nas fraudes

Giovanna Laranjo
Giovanna Laranjo
Formada em Jornalismo pela PUC-Campinas, atua na produção de conteúdo para mídias digitais, com experiência em televisão e apresentação. Voluntária na Copa do Mundo FIFA Qatar 2022, apaixonada por esportes, música e literatura.
Divulgação

O Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos (CIRA/SP), composto pela Secretaria da Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo, pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) e pela Procuradoria Geral do Estado, com apoio das Polícia Civil e da Polícia Militar deflagrou, nesta quarta-feira (15), a Operação Distrato.

O objetivo da ação era desarticular um esquema de comercialização de créditos de ICMS falsos, usados por empresas para reduzir indevidamente o imposto devido ao Estado.

Os envolvidos no esquema podem responder pelos crimes contra a ordem tributária, organização criminosa, estelionato, falsidade documental e lavagem de dinheiro.

De acordo com as investigações, escritórios de advocacia e consultorias procuravam empresas oferecendo a redução do ICMS a recolher, apresentada como planejamento tributário.

Após a contratação, o crédito inexistente era lançado na declaração do imposto e na escrituração fiscal da contratante, com uma rede de empresas de fachada emitindo notas fiscais para simular a origem do crédito. Os escritórios cobravam das contratantes até 70% do crédito falsamente criado.

Para dar aparência de legalidade ao esquema, os investigados teriam recorrido a contratos, procurações, apólices e até a documentos fictícios atribuídos à própria Administração Tributária.

Foram causados elevados prejuízos à arrecadação estadual. Ao lançar créditos sem amparo legal, o esquema reduz artificialmente o ICMS recolhido e subtrai recursos que deveriam custear serviços públicos essenciais.

A Secretaria da Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo, através das fiscalizações, recuperou mais de R$3,8 bilhões em créditos tributários em 752 empresas envolvidas na fraude.

Os créditos, inexistentes, eram lançados na escrituração fiscal das contratantes por meio da transferência de crédito acumulado falso, reduzindo indevidamente o imposto a recolher. O valor está compreendido nas ações fiscais mais recentes da Secretaria, que se aproximam de R$ 10 bilhões.

“Cada real desse número é um ilícito identificado, interrompido ou desestimulado. Constituir o crédito é o começo do devido processo, não dinheiro em caixa: quem quiser regularizar tem porta aberta, inclusive pelo Resolve Já; quem quiser discutir terá todas as garantias. O que não haverá é vantagem para quem frauda”, afirma o secretário da Fazenda e Planejamento, Samuel Kinoshita.

Estão sendo cumpridos 38 mandados de busca e apreensão em quatro cidades em São Paulo e duas no Paraná, são elas: São Paulo, Campinas, Jundiaí, Ribeirão Preto, Londrina e Cambé.

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