Estados Unidos decide nesta quarta-feira (15) sobre as novas tarifas sobre produtos brasileiros. Negociações e tratativas diplomáticas entre os dois países foram intensificadas na véspera da decisão.
Caso aprovada, será feita a imposição de um tarifaço de 25%, com um possível adicional de 12,5%.
Projeções da CNI (Confederação Nacional da Indústria) apontam que, se as taxas entrarem em vigor, mais de 4 mil produtos exportados pelo Brasil serão afetados, o equivalente a quase US$ 15 bilhões em exportações.
Diferente do tarifaço discutido no ano passado, que se baseou na reciprocidade em tarifas emergenciais que a Suprema Corte americana derrubou, esse novo entra na chamada Seção 301 da Lei de Comércio, que investiga práticas considerados desleais.
O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) investiga seis temas: comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, proteção à propriedade intelectual, etanol e desmatamento ilegal.
Os Estados Unidos também utilizam a Seção 301 para fazer pressão sobre outros países, como a China, por exemplo, para obter benefícios econômicos.
Em agenda na região de São José dos Campos, na segunda-feira (13), o presidente Luís Inácio Lula da Silva, apesar de não ter concedido entrevista coletiva, ao ser questionado sobre a eminente aplicação das tarifas, respondeu: “não vai ter tarifaço” e não deu mais detalhes sobre as negociações.
O governo brasileiro tenta evitar que as taxas entrem em vigor desde que foram anunciadas. Em nota de reunião feita com representantes dos EUA, em 25 de junho, Márcio Elias Rosa, Ministro do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), afirma que “ambos reconhecemos que o diálogo tem sido construtivo e que mais tempo será preciso para detalhar propostas e aproximar posições”.
Uma nova reunião foi feita na primeira quinzena de julho, de acordo com o Ministro, o Pix, o etanol e as tarifas aplicadas ao açúcar brasileiro, foram obstáculos nas negociações.
Na última sexta-feira (10) o presidente Lula se reuniu com seus ministros para decidir as estratégias do Brasil para a reta final das negociações.
A aposta do governo brasileiro é de que, caso as novas tarifas sejam aprovadas, exista um período de implementação que permita continuar as negócias para mitigar os impactos nas exportações do Brasil.
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