O Ministério da Fazendo prevê um aumento de 3,7% para 4,5% na projeção de inflação para 2026, com isso a estimativa oficial chega ao limite máximo da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
Os dados constam do Boletim Macrofiscal, divulgado nesta segunda-feira (18) pela Secretaria de Política Econômica (SPE) e reflete os impactos da guerra no Oriente Médio sobre os preços internacionais do petróleo.
Já a estimativa para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil foi mantida em 2,3% neste ano e em 2,6% para 2027.
O boletim traz previsões para a economia que orientam a elaboração do Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas. Previsto para ser enviado ao Congresso na sexta-feira (22), o relatório orienta a execução do Orçamento federal, com indicações de bloqueios (cortes para cumprir os limites de gastos) e contingenciamentos (congelamento de recursos para cumprir a meta de superávit primário).
Segundo a Fazenda, a principal motivação para o aumento é a disparada do petróleo no mercado internacional, que ultrapassou os US$110 por barril em meio às tensões no Golfo Pérsico.
O governo afirmou, porém, que parte desse impacto deverá ser amenizada pela valorização do real e por medidas adotadas para reduzir o repasse dos combustíveis ao consumidor.
“Parte do impacto do choque nos preços do petróleo será contrabalanceada pelos efeitos do real mais apreciado, e por medidas mitigatórias adotadas pelo Governo Federal”, destacou o documento.
Com a revisão, a projeção oficial ficou exatamente no teto do sistema de metas contínuas de inflação, que estabelece centro de 3% e intervalo de tolerância entre 1,5% e 4,5%.
Para 2027, a estimativa de inflação também foi elevada, passando de 3% para 3,5%.
Apesar da crescente inflação, o Ministério da Fazenda manteve em 2,3% a projeção de crescimento econômico para este ano. Para 2027, a expectativa também foi preservada em 2,6%, projeção que também segue para os anos seguintes.
A avaliação é de que o ritmo da atividade deverá desacelerar nos próximos trimestres em razão dos efeitos da política monetária restritiva, mas com retomada gradual no fim do ano.
O governo prevê desaceleração mais forte nos segundo e terceiro trimestres, seguida de recuperação parcial da indústria no fim do ano.
A alta do petróleo também deverá reforçar as receitas do governo federal. De acordo com cálculos da Secretaria de Política Econômica, o choque nos preços da commodity pode elevar a arrecadação em cerca de R$8,5 bilhões por mês.
O cálculo considera receitas provenientes de royalties, dividendos, Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e Imposto de Exportação ligados ao setor petrolífero.
“O ganho arrecadatório viabiliza uma resposta fiscal firme e responsável, aliada da política monetária e do compromisso com a consolidação em curso”, destaca a SPE.
Mercado financeiro
As expectativas do mercado financeiro são mais pessimistas que as do governo federal. De acordo com o boletim Focus, pesquisa semanal com instituições financeiras divulgada pelo Banco Central, a projeção da inflação é de 4,92% para 2026 e um crescimento econômico de 1,85%.
A Secretaria de Política Econômica afirmou que acompanha os riscos internacionais, mas destacou a resiliência do mercado de trabalho brasileiro como fator de sustentação da atividade.


