Independência do Brasil não terminou no 7 de Setembro: entenda o que aconteceu depois

Apesar do grito de Dom Pedro às margens do Ipiranga, tropas portuguesas continuaram resistindo em diferentes regiões do país até 1823

Giovanna Laranjo
Giovanna Laranjo
Formada em Jornalismo pela PUC-Campinas, atua na produção de conteúdo para mídias digitais, com experiência em televisão e apresentação. Voluntária na Copa do Mundo FIFA Qatar 2022, apaixonada por esportes, música e literatura.
Paulo Pinto/Agência Brasil

O 7 de Setembro de 1822 ficou marcado na história como o dia em que Dom Pedro declarou a Independência do Brasil. Mas, apesar da importância da data, a separação de Portugal não foi concluída naquele momento.

Após o episódio às margens do rio Ipiranga, tropas e grupos que permaneciam fiéis à Coroa portuguesa continuaram resistindo em diferentes partes do país. O processo de consolidação da independência se estendeu por meses e envolveu conflitos principalmente em províncias como Bahia, Maranhão, Pará e Piauí. Segundo o Arquivo Nacional, enquanto algumas regiões aderiram ao governo de Dom Pedro de maneira mais rápida, outras passaram por guerras e disputas que duraram até 1823.

Bahia foi palco de uma das principais guerras

Um dos principais focos de resistência ocorreu na Bahia. Os conflitos na região começaram antes mesmo do 7 de Setembro e se prolongaram até o ano seguinte.

A presença de tropas portuguesas na província provocou confrontos entre grupos favoráveis a Portugal e aqueles que apoiavam a separação. A luta ganhou força no Recôncavo Baiano e chegou a Salvador, que permaneceu sob controle português.

Com o avanço das tropas brasileiras e o bloqueio marítimo da capital, comandado pelo oficial britânico Thomas Cochrane, as forças portuguesas comandadas por Inácio Madeira de Melo deixaram Salvador em 2 de julho de 1823. A data passou a ser celebrada na Bahia como o marco da Independência do estado.

Outros conflitos continuaram pelo país

A Bahia não foi a única região onde a independência precisou ser consolidada pela força. No Maranhão, a guerra terminou em 28 de julho de 1823. No Pará, os conflitos se estenderam até 6 de agosto do mesmo ano, de acordo com a cronologia do Arquivo Nacional.

Também houve disputas no Piauí e no Ceará. O processo foi diferente em cada província, já que a adesão ao novo governo instalado no Rio de Janeiro não aconteceu ao mesmo tempo em todo o território.

Por isso, historiadores e instituições públicas tratam o 7 de Setembro como um marco simbólico e político da Independência, mas não como o encerramento imediato de todo o processo.

Por que 7 de Setembro é a data oficial?

A escolha do 7 de Setembro está ligada ao episódio em que Dom Pedro rompeu publicamente com as ordens de Portugal e declarou a separação do Brasil. A data acabou se consolidando como o principal símbolo da independência brasileira.

A realidade, porém, foi mais complexa do que a imagem de um único momento decisivo. A formação do Brasil independente envolveu negociações, disputas políticas e conflitos armados que continuaram depois do famoso grito do Ipiranga.

Assim, quando o Brasil celebra o 7 de Setembro, a data representa o início da ruptura política com Portugal. A consolidação dessa independência, no entanto, ainda levaria meses e só seria concluída em diferentes momentos nas várias regiões do país.

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