Um grande boom no setor brasileiro de parques e atrações aconteceu recentemente. O setor teve um grande crescimento e a previsão de investimento para os próximos anos é de R$11,5 bilhões.
Junto dessa mudança, surgem alguns problemas e dúvidas, como por exemplo, o que motivou essa expansão ou existe uma mão de obra especializada para manter o negócio rodando.
A especialista em turismo, entretenimento e experiência do consumidor, Marina Agibert, explica que investir no setor é um bom negócio.
Segundo a especialista, a margem EBITDA dos parque e atrações, que indica a porcentagem da receita líquida de uma empresa que se converte em lucro operacional, varia entre 25% para operações iniciantes. Já para empreendimentos consolidados, esse índice varia entre 30% e 45%. Sendo que uma operação madura de qualquer empresa deve trabalhar com margens acima de 35%.
Marina acredita que com os investimentos previstos esse mercado está entrando para outro patamar, “principalmente quando percebemos que esse volume é impulsionado por projetos bilionários. Estamos caminhando para um padrão internacional de investimentos e profissionalização do setor”.
O setor um alto índice de geração de empregos, de acordo com o Panorama Setorial 2026, o segmento de parques e atrações já responde por mais de 202 mil empregos diretos, indiretos e induzidos, e os novos investimentos previstos devem gerar outras 15 mil vagas.
“O turismo é um setor democrático: gera oportunidades para todos, do ambulante ao investidor. Ele movimenta pessoas, e movimento gera riqueza”, afirma Marina.
Apesar dos números, a especialista alerta para a dificuldade em encontrar mão de obra para trabalhar na área, sendo atrair, desenvolver e reter profissionais qualificados um dos principais desafios.
“O desafio de trabalhar aos finais de semana está mais presente do que nunca. Além disso, o setor de serviços ainda é visto por muitas pessoas como algo de menor prestígio. Talvez isso tenha raízes na nossa própria história. Precisamos informar e formar profissionais”, orienta a especialista.
Mas o que motiva o crescimento?
Para Marina Agibert, são três os fatores que explicam esse movimento no mercado de atrações e parques: “a necessidade de muitos empreendimentos trazerem novidades para atrair o público; o aumento da demanda por entretenimento, impulsionado por mudanças no comportamento do consumidor; e o retorno financeiro do setor ao longo dos anos”.
Ainda segundo a especialista a capacidade de transformar “uma visita em uma experiência memorável, despertando o desejo de compra no público certo” é a chave para o sucesso do setor.
Outro fator essencial é a capacidade de fidelizar o visitante e estimular seu retorno.
“Storytelling, ambientes temáticos e experiências imersivas encantam adultos e crianças. O resgate do lúdico e a possibilidade de “desligar” da rotina passaram a ser necessidades cada vez mais valorizadas pelos consumidores”, explica Marina.
Apesar das grandes expectativas da expansão dos parques de diversão no Brasil, os investimentos para esse tipo de empreendimento são altos. Como é o caso do Cacau Park que está sendo construído no interior de São Paulo.
Um investimento do empresário Alexandre Tadeu da Costa, fundador da Cacau Show, deu bastante destaque para o setor. Com projetos inspirados em parques internacionais e a promessa de criar a maior montanha russa da América Latina.
“O Cacau Park recolocou a ideia de “ir a um parque” na mesa do café da manhã dos brasileiros. Isso é extremamente positivo porque estimula o interesse pelo entretenimento e amplia o mercado como um todo. Acredito que o brasileiro tem, sim, apetite para consumir esse tipo de experiência. No entanto, considerando o porte dos investimentos necessários, acredito que o país conviverá com poucos grandes parques por bastante tempo, até que novos investidores decidam apostar em empreendimentos desse porte”, prevê a especialista.

