Precatórios entram na conta e déficit primário recua para R$ 52 bilhões

A revisão das despesas obrigatórias levou o governo a reduzir a estimativa de déficit primário para R$ 52 bilhões. Apesar disso, a meta fiscal segue dependendo das regras do arcabouço e das exclusões previstas na legislação.

Saulo Astini
Saulo Astini
Sou radialista, cinegrafista, editor audiovisual, YouTube manager e estrategista digital, com experiência em distribuição digital, streaming, produção de conteúdo e jornalista. Participação em produções e transmissões ao vivo broadcast. Atuei na direção de imagem e fotografia de produções musicais. Formação técnica em Cinema, Fotografia, Administração e Gestão de Pessoas, além de certificações em Marketing Digital, Jornalismo Digital pela Reuters Digital Journalism, Literacia em Inteligência Artificial e gestão Google Business.
© Marcelo Imagem: Camargo/Agência Brasil

A previsão do déficit primário do Governo Federal foi reduzida para R$ 52 bilhões após a atualização das estimativas de receitas e despesas do Orçamento de 2026. A revisão ocorreu em razão da diminuição da projeção de gastos obrigatórios e foi apresentada no novo Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas encaminhado ao Congresso Nacional.

O déficit primário representa o resultado das contas públicas antes do pagamento dos juros da dívida. Nesse cálculo, as despesas superam as receitas do governo. Entretanto, parte desse valor está relacionada ao pagamento de precatórios, despesas que permanecem fora da meta fiscal até o fim deste ano em razão das regras estabelecidas para o arcabouço fiscal.

Queda das despesas obrigatórias melhora projeção fiscal

A nova estimativa representa uma melhora em relação à previsão anterior, que indicava déficit de R$ 60,3 bilhões. A principal mudança ocorreu após a revisão para baixo das despesas obrigatórias, incluindo gastos com pessoal, Previdência Social e benefícios sociais.

Além disso, o bloqueio de despesas previsto para cumprir os limites do novo regime fiscal também foi reduzido. Dessa forma, o valor passou de R$ 23,6 bilhões para aproximadamente R$ 17,9 bilhões, refletindo uma melhora nas projeções fiscais para este ano.

Meta fiscal continua preservada

Embora o resultado total indique déficit de R$ 52 bilhões, a metodologia utilizada para verificar o cumprimento da meta fiscal considera algumas exclusões previstas na legislação.

Entre elas estão parte dos precatórios e outras despesas autorizadas por lei. Assim, após esses ajustes, a projeção oficial passa a indicar um superávit primário de R$ 10,8 bilhões, resultado considerado compatível com a meta fiscal vigente dentro da margem de tolerância prevista pelo arcabouço fiscal.

O que são precatórios?

Precatórios são dívidas da União determinadas por decisões judiciais definitivas. Em razão de um acordo firmado anteriormente, parte desses pagamentos permanece temporariamente fora do cálculo da meta fiscal.

Apesar disso, esses desembolsos continuam impactando o resultado total das contas públicas e influenciam diretamente o endividamento do governo. Por consequência, especialistas acompanham esses valores como um dos principais indicadores da situação fiscal do país.

A atualização das projeções ocorre em um momento de acompanhamento permanente das contas públicas. Além da evolução da arrecadação, o comportamento das despesas obrigatórias continuará sendo determinante para os próximos relatórios fiscais.

Enquanto isso, o governo mantém a estratégia de buscar equilíbrio entre o controle dos gastos e o cumprimento das metas estabelecidas pelo novo arcabouço fiscal. Por fim, novas revisões poderão ocorrer nos próximos meses, conforme a evolução das receitas e das despesas federais.

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