A Polícia Federal apresentará, nesta quinta-feira (6), ás 14h, em coletiva de imprensa, o Relatório Final do Inquérito Policial das investigações do acidente do voo 2283 da Voepass, que aconteceu em 9 de agosto, em Vinhedo, e causou a morte dos 62 passageiros.
A coletiva acontecerá na sede da Superintendência Regional da Polícia Federal, na capital paulista e será realizada pelo Superintendente Regional da Polícia Federal em São Paulo, Rodrigo Sanfurgo, pelo Delegado de Polícia Federal e chefe da Delegacia da Polícia Federal em Campinas, André Ribeiro, e pelo Diretor do Instituto Nacional de Criminalística da Polícia Federal, Carlos Eduardo Palhares.
Relatório Cenipa
O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) divulgou no dia 23 de julho o relatório final sobre a queda do voo 2283 da Voepass, em Vinhedo. O documento apresentou as conclusões da investigação técnica conduzida pela Força Aérea Brasileira (FAB) e trouxe novos detalhes sobre o funcionamento da aeronave nos dias que antecederam a tragédia.
Antes da divulgação pública, os familiares das vítimas tiveram acesso ao conteúdo. A investigação do Cenipa teve caráter exclusivamente preventivo e buscou identificar fatores que contribuíram para o acidente, sem atribuir responsabilidades civis ou criminais.
Entre os principais pontos apresentados pelo relatório está a confirmação de uma nova falha no sistema de degelo (de-icing) durante o último pouso realizado pela aeronave antes do voo que terminou em acidente.
De acordo com o Cenipa, o ATR 72 chegou ao Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP) apresentando o problema. No entanto, assim como havia ocorrido anteriormente, a falha não foi registrada no diário de bordo técnico (technical log book), documento utilizado para informar ocorrências que possam afetar a operação da aeronave.
Segundo o tenente-coronel Paulo Mendes Fróes, a aeronave também apresentou falha no sistema de degelo na véspera do acidente. Entretanto, a tripulação novamente deixou de registrar a ocorrência, impedindo que a informação fosse formalmente encaminhada para avaliação da manutenção.
Durante a apresentação do relatório, o tenente-coronel Paulo Mendes Fróes afirmou que pilotos que operam aeronaves ATR costumam menosprezar alertas de queda de velocidade, comportamento observado durante as investigações e considerado um aspecto relevante para compreender a dinâmica operacional desse tipo de avião.
Relembre o caso
A aeronave da Voepass, de matrícula PTB 2283, saiu de Cascavel (PR) e seguia em direção à Guarulhos, em São Paulo (SP). A decolagem aconteceu às 11h58 e a chegada no destino final estava programada para às 13h50.
O avião caiu e explodiu em um condomínio no bairro Jardim Florido, em Vinhedo (SP), na tarde do dia 9 de agosto de 2024.
Na aeronave, haviam 62 pessoas no total, com 57 passageiros e quatro tripulantes. Ninguém sobreviveu.
Após o acidente, a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) cassou o Certificado de Operador Aéreo (COA) da Passaredo Transportes Aéreos, principal empresa do grupo Voepass. A medida é definitiva e impede a companhia de realizar qualquer voo comercial de passageiros ou cargas no Brasil.
Segundo a agência, na época, a cassação foi motivada por falhas graves e persistentes no sistema de supervisão de manutenção da empresa, detectadas durante uma “operação assistida” iniciada após o acidente aéreo de 2024. Mesmo advertida, a Voepass não corrigiu de forma efetiva as irregularidades, voltando a descumprir normas básicas de segurança.





