O governo federal lançou neste sábado (30) a plataforma Tela Brasil, serviço público e gratuito de streaming voltado à exibição de produções audiovisuais brasileiras. A iniciativa é coordenada pelo Ministério da Cultura (MinC) em parceria com a Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e tem como objetivo ampliar o acesso da população a conteúdos nacionais.
O lançamento ocorreu na Cidade das Artes, no Rio de Janeiro. Durante o evento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a plataforma busca fortalecer a produção cultural brasileira e ampliar sua visibilidade junto ao público. Ele também criticou o excesso de conteúdos estrangeiros nas telas do país, considerados por ele como de baixa qualidade.
“A quantidade de enlatados de má qualidade que a gente é obrigado a assistir toda noite, porque não tem outra coisa para a gente ver. O que não permite que a juventude brasileira tenha acesso à plenitude da cultura brasileira”, lamentou Lula.
A ministra da Cultura, Margareth Menezes, também presente no lançamento, destacou que a criação da plataforma busca ampliar o acesso da população às obras audiovisuais produzidas no país e contribuir para a distribuição desses conteúdos.
“Na questão do audiovisual, nós temos um gargalo ainda muito grande na questão da distribuição. Como fazer o povo ter acesso a tudo o que se produz, às coisas que são importantes, que referenciam o nosso país?”, disse a ministra.
A Tela Brasil oferece acesso sob demanda a filmes, séries, documentários e outras produções nacionais por meio de integração com o sistema Gov.br.
Acervo reúne mais de 550 obras
A plataforma estreia com um catálogo de 555 obras audiovisuais brasileiras, incluindo produções financiadas pelo Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) e conteúdos preservados por instituições vinculadas ao Sistema MinC, como a Cinemateca Brasileira, o Centro Técnico Audiovisual (CTAv), a Fundação Nacional de Artes (Funarte) e a Fundação Cultural Palmares.
O acervo inclui obras produzidas entre 1910 e 2025 e está distribuído da seguinte forma:
- 267 curtas-metragens;
- 139 longas-metragens;
- 85 médias-metragens e telefilmes;
- 64 obras seriadas.
Entre os títulos disponíveis na plataforma estão:
- A Hora da Estrela, de Suzana Amaral;
- Xica da Silva, de Cacá Diegues;
- Central do Brasil, de Walter Salles;
- Cidade de Deus, de Fernando Meirelles;
- Deus e o Diabo na Terra do Sol, de Glauber Rocha;
- Carandiru, de Hector Babenco;
- Olga, de Jayme Monjardim.
Segundo o Ministério da Cultura, o catálogo inicial também reúne 19 produções que representaram o Brasil na disputa pelo Oscar ao longo da história.
Categorias destacam diversidade cultural
As obras estão organizadas em diferentes categorias temáticas, entre elas:
- Infância;
- Juventude;
- Artes;
- Brasilidade.
Uma das seções disponíveis é a categoria Africanidades, que reúne produções voltadas às trajetórias, memórias e experiências da população negra brasileira.
O acervo também contempla produções ligadas a temas como:
- Cinema negro;
- Cinema indígena;
- Obras dirigidas por mulheres;
- Justiça climática;
- Sustentabilidade.
Plataforma terá dois perfis de acesso
Para acessar a Tela Brasil, o usuário precisa possuir uma conta ativa no Gov.br. A plataforma oferece dois tipos de perfil:
Perfil Cidadão
Destinado ao público em geral, permite:
- Assistir gratuitamente a filmes, séries e documentários;
- Navegar por gêneros, formatos e categorias;
- Criar listas de conteúdos favoritos.
Perfil Direcionado
Voltado para exibições coletivas sem fins lucrativos em espaços como:
- Escolas;
- Cineclubes;
- Bibliotecas;
- Museus;
- Pontos de cultura.
Obras contam com recursos de acessibilidade
De acordo com o Ministério da Cultura, todas as produções selecionadas por edital público contam com recursos de acessibilidade, incluindo:
- Audiodescrição;
- Legendagem descritiva;
- Interpretação em Língua Brasileira de Sinais (Libras).
Nesta primeira etapa, a plataforma está disponível por meio de navegadores de internet em computadores, com opção de transmissão para smart TVs. Os aplicativos para dispositivos Android e iOS devem ser disponibilizados nos próximos 30 dias.

