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Confronto ideológico traciona demais forças políticas e mantém polarização no Brasil

Dois esquemas políticos polarizam a disputa - o lulismo e o bolsonarismo, que vai disputar com a face do senador Flávio Bolsonaro.

Josival Pereira
Josival Pereira
Josival Pereira, natural de Cajazeiras (PB), é jornalista, advogado e editor-responsável por seu blog pessoal. Em sua jornada profissional, com mais de 40 anos de experiência na comunicação, atuou em várias emissoras Paraibanas, como diretor, apresentador, radialista e comentarista político. Para além da imprensa, é membro da Academia Cajazeirense de Letras e Artes (Acal), e foi também Secretário de Comunicação de João Pessoa (2016/2020), Chefe de Gabinete e Secretário de Planejamento da Prefeitura de Cajazeiras (1993/1996).

O Brasil vai às urnas daqui a seis meses para decidir sobre seu futuro político, definição da qual dependem os rumos da economia, da gestão pública, da ciência, da educação, da saúde e das politicas sociais, entre outros segmentos da atividade humana, provavelmente sem novidades. Dois esquemas políticos polarizam a disputa – o lulismo e o bolsonarismo, que vai disputar com a face do senador Flávio Bolsonaro.
Na última semana de fevereiro, o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, reuniu os governadores Ronaldo Caiado (Goiás), Ratinho Junior (Paraná) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul) prometendo uma articulação nacional para quebrar a polarização política com uma candidatura de centro. A ideia era unir os partidos do chamado centrão e lançar um candidato para atrair o eleitor que não se assume ou não se assumia bolsonarista nem lulista.
Havia pesquisas animadoras. A Quaest e o Senado têm levantamentos que desmentem ou aliviam a percepção geral de polarização. Numa das pesquisas do Instituto Quaest, 19% dos eleitores se dizem lulistas e 14% de esquerda, o que representaria 33% posicionado no campo progressista; os bolsonaristas seriam 12% e os eleitores assumidamente de direita seriam 21%, perfazendo 33%. Outros 34% seriam eleitores de centro ou independentes, o que sugere, a rigor, que não haveria uma polarização política no país.
Um levantamento do Senado com 21 mil eleitores acabou mostrando que 15% dos brasileiros se definem como sendo de esquerda, 29% de direita, 11% de centro, 40% garantem não ser de esquerda nem de direita e 6% preferiram não se posicionar ou dizer que não sabem o que são.
Existem diversas outras pesquisas traçando mais ou menos o mesmo perfil ideológico dos eleitores nacionais.
Foi com base na premissa sugerida por essas pesquisas que Kassab se animou em reunir os governadores da direita moderada e de centro para defender o lançamento de um candidato fora do bolsonarismo ou do lulismo. Até agora não deu certo.
O problema é que existem outras pesquisas nas quais os eleitores nacionais desmentem esse suposto quadro de diluição da polarização. Uma delas saiu esta semana e confirma outras duas ou três realizadas desde o ano passado.
Perguntado pelo Instituto Datafolha se haviam se arrependido do voto dado em 2022, 90% dos brasileiros responderam que não, que manteriam a escolha em Lula e Bolsonaro. Entre os eleitores de Lula, apenas 9% se dizem arrependidos; entre os bolsonaristas, são 8%. Além disso, existe uma clara intenção de repetição de voto. Em verdade, as pesquisas têm revelado uma realidade que é a mesma do rigoroso empate registrado em 2022.
Pior é que não há novidade em tudo isso, já que praticamente todas as pesquisas realizadas nos últimos três anos e seis meses invariavelmente repetem esse quadro de polarização.
Os eleitores contemporâneos se apresentam fluidos e instantâneos, mas, paradoxalmente, parecem ter plasmado convicções políticas bem rígidas no Brasil.
O quadro é, então, de uma realidade complicada e de difícil explicação. Talvez a ideia, defendida por pensadores franceses, de que a ultra-direita tenha se tornado uma ideologia, não mais um agrupamento político de protesto e pressão, possa explicar um pouco o que ocorre no Brasil. As ideologias são concebidas por poucos, mas são estruturadas e costumam exercer ampla força de atração. Curiosamente, na cabeça da polarização política brasileira haveria ou há duas forças ideológicas estruturadas – a esquerda socialista e a ultra-direita.
Ambas tracionando, inapelavelmente, praticamente todas as forças políticas e a sociedade.

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