No Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, celebrado nesta quinta-feira (10), falar sobre o tema pode ajudar a identificar situações de sofrimento e orientar a busca por atendimento.
Especialistas e órgãos de saúde destacam que não existe uma fórmula capaz de prever uma crise, mas algumas mudanças de comportamento podem servir como sinais de alerta.
A data foi inistituída em 2003 pela International Association for Suicide Prevention (IASP), em parceria com a Organização Mundial da Saúde (OMS).
O dia 10 de setembro de 2026 marca o último ano do tema trienal: “Mudar a Comunicação sobre o Suicídio”, acompanhado pela ação: “Iniciar a Conversa”. O objetivo da temática é desafiar mitos prejudiciais, reduzir o estigma e promover conversas abertas e compassivas sobre a questão.
No Brasil, a campanha de prevenção ao suicídio é do Setembro Amarelo, promovido desde 2014 por diversas entidades, entre elas a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), o Conselho Federal de Medicina (CFM) e o Centro de Valorização da Vida (CVV).
Problema de Saúde Pública
O suicídio é um grave problema de saúde pública, com consequências sociais, emocionais e econômicas de grande alcance. Estima-se que ocorram atualmente mais de 720.000 suicídios por ano em todo o mundo.
O Brasil registra uma média de 14 mil a 16 mil mortes por suicídio por ano, o que corresponde a 38 óbitos por dia, com taxa crescente de 43% na última década (2010 a 2019), de acordo com o SUS (Sistema Único de Saúde).
Dados da SVS (Secretaria de Vigilância em Saúde) divulgados pelo Ministério da Saúde em setembro de 2022 mostram que entre 2016 e 2021 houve um aumento de 49,3% nas taxas de mortalidade de adolescentes de 15 a 19 anos, e de 45% entre adolescentes de 10 a 14 anos.
Segundo a OMS, todos os anos mais pessoas morrem em decorrência do suicídio do que por doenças como HIV/aids, malária ou câncer de mama ou por guerras e homicídios.
Entre os jovens de 15 a 29 anos, o suicídio foi a terceira causa de morte depois de acidentes no trânsito, tuberculose e violência interpessoal.
Em países da Europa, houve declínio nas taxas de suicídio. Já na região do Leste Asiático, América Central e América do Sul foi registrado um aumento. Atualmente, apenas 38 nações são conhecidas por terem uma estratégia nacional de prevenção.
Prevensão
Para a psicológa, Lilian Martignago, especializada em Terapia Cognitivo-Comportamental, alguns sinais no comportamento de uma pessoa podem dar indicíos de sintomas de depressão, são eles:
- Isolamento social;
- Perda de interesse por atividades que antes eram prazerosas;
- Alterações importantes no sono e no apetite;
- Abandono do autocuidado;
- Queda no funcionamento escolar ou profissional;
- Mudanças bruscas de humor;
- Aumento do uso de álcool ou outras drogas;
- Manifestações de desesperança ou de que a vida perdeu o sentido.
“É importante destacar que nenhum sinal isolado permite afirmar que uma pessoa está em risco de suicídio. O que chama atenção é a combinação de sinais, especialmente quando há uma mudança recente e intensa no comportamento”, afirma a psicologa.
De acordo com Lilian, o primeiro passo é se aproximar com acolhimento, disponibilidade e escuta. Fazer perguntas simples e diretas pode ajudar a abrir espaço para uma conversa.
“O mais importante é escutar sem críticas, sem minimizar o sofrimento e sem transformar a conversa em uma cobrança. A família e os amigos não precisam resolver o problema sozinhos. O papel deles é acolher, permanecer próximos e ajudar a pessoa a chegar ao atendimento adequado”.
A profissional afirma também que um dos principais erros cometidos por amigos ou familaires é minimizar o sofrimento “devemos evitar julgamentos, sermões, ameaças, chantagens emocionais e culpabilização”.
Outro erro destacado pela psicologa é acreditar que falar sobre o suicídio vai colocar a ideia na cabeça da pessoa. Segundo o OMS, conversar de maneira cuidadosa e direta pode ajudar a pessoa a se sentir compreendida e favorecer a busca por ajuda.
“E talvez um dos erros mais perigosos seja ignorar sinais porque acreditamos que a pessoa está apenas ‘chamando atenção’. Toda manifestação relacionada à morte ou ao desejo de desaparecer deve ser levada a sério e acolhida”, orienta Lilian.
Para quem quer ajudar o outro é necessário entender que prevenir o suicído “não significa ter todas as respostas. Significa estar disposto a perceber, perguntar, escutar sem julgamento e ajudar a pessoa a não atravessar sozinha um momento de sofrimento intenso.”
“É fundamental compreender que procurar ajuda não significa fraqueza. Em uma crise, o objetivo principal é garantir segurança, reduzir a intensidade do sofrimento e conectar a pessoa à rede de cuidado”, finaliza a psicologa.
Onde pedir ajuda
De acordo com o Ministério da Saúde os melhores lugares para procurar ajuda são:
- CAPS e Unidades Básicas de Saúde (Saúde da família, Postos e Centros de Saúde);
- UPA 24H; SAMU 192; Pronto Socorro; Hospitais;
- Centro de Valorização da Vida – 188 (ligação gratuita).
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