O presidenciável Ronaldo Caiado (PSD) criticou duramente o governo federal durante entrevista coletiva em Araçatuba (SP), nesta sexta-feira (21), e afirmou que, se eleito, encontrará um país com problemas econômicos, na segurança pública, na educação e na saúde. Para o candidato, a atual administração teria “roubado o futuro do Brasil” e deixado uma “crise econômica devastadora”.
Ruralista, Caiado participou de um encontro com lideranças do agronegócio, no auditório do Sindicato Rural da Alta Noroeste (Siran). Depois, seguiu para o lançamento da candidatura do ex-prefeito Dilador Borges (PSD) a deputado estadual.
Como metas de um eventual mandato, o presidenciável do PSD citou a redução da taxa de juros para 6% ao ano e a manutenção da inflação entre 3% e 4%. “É com esse choque de credibilidade que nós resgataremos rapidamente o país para chegar a uma taxa de juros de 6% ao ano e uma inflação variando de 3% a 4%”, afirmou.
Na avaliação do candidato, o custo do crédito compromete empresas e consumidores. Ele classificou as taxas atuais como uma “taxa de agiotagem” e disse que a falta de capacidade de investimento atinge o varejo, a indústria, o comércio e o setor agropecuário.
O candidato citou o comércio, a indústria, o varejo e a agropecuária como setores afetados pelo atual cenário econômico. “Ninguém suporta mais o que nós estamos vivendo”, declarou.
Pizza em seis vezes
Para ilustrar o impacto dos juros sobre o consumo, Caiado mencionou a possibilidade de parcelamento de uma pizza em seis vezes por uma plataforma de entrega. Segundo ele, o endividamento estaria pressionando as duas pontas da economia: quem compra e quem vende.
Críticas à saúde e promessa de mais recursos federais
Ao tratar da saúde, Caiado afirmou que o governo federal transferiu responsabilidades para prefeitos e governadores, ao comentar a defasagem das equipes de Saúde da Família (ESF) em Araçatuba e sobre a demora para o envio de novos recursos ao município.
O presidenciável disse que o problema se repete em outras regiões do país e que as Unidades Básicas de Saúde estão “estranguladas” pela falta de financiamento. Segundo Caiado, a participação da União nos repasses teria caído de 62% para 40%. Os percentuais foram apresentados pelo próprio candidato durante a entrevista.
Caiado prometeu recompor a participação federal no custeio da saúde e afirmou que os recursos não serão distribuídos com critérios seletivos ou partidários. A proposta, de acordo com ele, deverá contemplar a atenção básica e os serviços de média e alta complexidade.
Seguro rural e dependência de fertilizantes
Questionado sobre o agronegócio, Caiado afirmou que pretende retomar a discussão sobre o seguro rural, uma demanda que classificou como antiga no setor. Também defendeu a abertura de novos mercados e a redução da dependência de um único grande comprador para a produção brasileira.
Entre as medidas citadas estão a oferta de insumos a preços compatíveis com a atividade, o aumento da produção nacional de fertilizantes nitrogenados e a redução da dependência de importações de cloreto de potássio e fósforo.
Caiado afirmou ainda que o setor precisa de rodovias de qualidade, ferrovias e integração com hidrovias. Para ele, investimentos em logística e a garantia de renda ao produtor são necessários para enfrentar a crise de comercialização e assegurar os insumos das safras de 2026 e 2027.
Articulação política
Durante a entrevista, Caiado mencionou a presença de seu candidato a vice, Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD, além do candidato Dilador Borges e do deputado federal Arnaldo Jardim (Cidadania). Fez menção ainda, ao economista Armínio Fraga e Afif Domingos, que segundo ele, foram convidados para compor um eventual governo.


