O Ministério da Saúde decidiu, nesta segunda-feira (8), suspender temporariamente o uso da vacina contra a dengue produzida pelo Instituto Butantan. A medida foi adotada após o registro de 42 casos de reações mais graves em pessoas vacinadas, incluindo três internações e duas mortes em investigação.
De acordo com a pasta, ainda não há comprovação de relação direta entre os eventos e o imunizante, mas a situação foi classificada como sinal de alerta sanitário, o que motivou a adoção da suspensão como medida de precaução.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que a decisão foi tomada para permitir uma análise mais detalhada dos casos. Segundo ele, equipes técnicas da Saúde, da Anvisa e do próprio Instituto Butantan vão aprofundar a investigação para identificar possíveis fatores de risco entre os pacientes afetados.
A suspensão atinge exclusivamente a vacina desenvolvida pelo Butantan. O imunizante Qdenga, produzido pelo laboratório Takeda e já utilizado no Sistema Único de Saúde, continua liberado e sendo aplicado normalmente.
Dados do Ministério da Saúde indicam que mais de 500 mil doses da vacina suspensa já haviam sido aplicadas no país até o fim de maio. O imunizante havia sido incorporado ao SUS em janeiro deste ano e fazia parte de uma estratégia de monitoramento em cidades-piloto, como Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG), além de ações pontuais em outros municípios.
A pasta reforçou que a suspensão não representa conclusão sobre falha ou ineficácia da vacina, mas sim uma etapa de investigação dentro dos protocolos de segurança. Enquanto isso, os casos seguem sendo analisados por equipes de farmacovigilância para esclarecer o que motivou as reações notificadas.


