RÁDIO AO VIVO
Botão TV AO VIVO TV AO VIVO
Botão TV AO VIVO TV AO VIVO Ícone TV
RÁDIO AO VIVO Ícone Rádio

10 curiosidades sobre Jorge Mautner no dia do aniversário do artista

Nome fundamental da nossa música popular brasileira – ainda que muitas vezes fora dos rótulos fáceis e das grandes mídias – Jorge Mautner construiu uma obra que mistura erudição, oralidade, utopia, caos e Brasil profundo. 

Hoje, o cantor, compositor, violinista, pensador da cultura brasileira e escritor carioca completa 85 anos e – a seguir – reunimos dez curiosidades sobre o artista, que ajudam a entender por que sua presença segue tão necessária para a cultura do nosso país.

1 – Jorge Mautner nasceu do exílio

Henrique George Mautner nasceu em 17 de janeiro de 1941, apenas um mês depois de seus pais desembarcarem no Brasil, fugindo do Holocausto. Filho de uma iugoslava católica com um judeu austríaco, ele carrega desde o nascimento a marca do deslocamento, da diáspora e da sobrevivência, temas que atravessam sua obra.

2 – A resistência já fazia parte da família

No Brasil, seu pai – embora simpatizante do governo Getúlio Vargas – atuava na resistência judaica. Já sua mãe sofreu graves consequências emocionais após a impossibilidade de sua filha, Susana, embarcar com a família para o país, trauma que resultou em uma paralisia progressiva.

3 – O candomblé entrou cedo em sua vida

Por conta da paralisia da mãe, até os sete anos de idade Jorge foi criado por uma babá chamada Lúcia, que era ialorixá. Foi ela quem o apresentou ao candomblé, matriz espiritual que deixaria marcas profundas em sua visão de mundo, na musicalidade e na forma como ele compreende o Brasil como território mítico e simbólico.

Jorge Mautner | Foto: Lailson Santos/Divulgação

4 – O violino veio com o padrasto

Em 1948, seus pais se separaram e sua mãe se casou com o violinista Henri Müller, integrante da Orquestra Sinfônica de São Paulo. A família se mudou para a capital paulista, onde Mautner aprendeu a tocar violino – instrumento que o acompanharia por toda a vida.

5 – Ele foi expulso do colégio por algo que escreveu

Apesar de ser um ótimo aluno, Jorge Mautner foi expulso do colégio antes de concluir o Ensino Médio, após escrever um texto considerado “indecente”. A punição, ironicamente, antecipava o destino: a escrita já era mais forte que qualquer regra.

6 – Seu primeiro livro nasceu na adolescência

Mautner começou a escrever “Deus da Chuva e da Morte” aos 15 anos. Publicado em 1962, o livro ganhou o Prêmio Jabuti de Literatura e se tornou uma obra-chave de sua trajetória. O título, inclusive, aparece eternizado em um verso de “Sampa”, de Caetano Veloso:
 “Tuas oficinas de florestas, teus deuses da chuva”.

7 – Ele inspirou um verso histórico da MPB

Caetano conheceu Mautner ao chegar em São Paulo, e o citou diretamente na canção “Sampa”, ao lado de José Celso Martinez Corrêa, do Teatro Oficina. O verso é uma espécie de retrato afetivo da cena artística e intelectual da cidade nos anos 1960.

8 – Criador da “Mitologia do Kaos”

“Deus da Chuva e da Morte” integra, ao lado de “Kaos” (1964) e “Narciso em Tarde Cinza” (1966), a trilogia batizada de “Mitologia do Kaos”, reunida em edição especial em 2002 e posteriormente adaptada para o teatro. O conceito do “Kaos” se tornaria central na obra de Jorge Mautner.

9 – Exílio, política e poesia

Em 1962, Mautner ingressou no Partido Comunista Brasileiro, a convite do físico e intelectual Mário Schenberg. Após o Golpe de 1964, foi preso e libertado sob a condição de se expressar com “mais cuidado”. Viveu nos Estados Unidos, trabalhou na UNESCO, foi secretário do poeta Robert Lowell e, mais tarde, exilou-se em Londres, onde se aproximou ainda mais de Caetano Veloso e Gilberto Gil.

10 –  Um autor de clássicos e de pontes

Na música, Jorge Mautner é autor de canções fundamentais da MPB, como:

  • Maracatu Atômico (parceria com Nelson Jacobina)
  • Lágrimas Negras (parceria com Nelson Jacobina)
  • Todo Errado
  • Aeroplanos (parceria com Rodolph Grani Júnior)
  • O Rouxinol (parceria com Gilberto Gil)
  • Pelas Capitais (parceria com Moraes Moreira)

Suas músicas já foram gravadas por Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Wanderléa, Lulu Santos, Chico Science & Nação Zumbi, entre muitos outros.

Com 14 discos lançados – o primeiro em 1972 e o mais recente, “Não Há Abismo Em Que o Brasil Caiba” (2019), eleito um dos melhores do ano pela APCA Jorge Mautner segue sendo um artista que não cabe em rótulos. Sua obra continua nos lembrando que o Brasil é, antes de tudo, resistência.

COMPARTILHAR:

Participe do grupo e receba as principais notícias de Campinas e região na palma da sua mão.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do WhatsApp.

NOTÍCIAS RELACIONADAS