Um gigante da nossa música popular brasileira e veterano do samba carioca, Jorge Aragão da Cruz nasceu em 01 de março de 1949, no Rio de Janeiro, e cresceu em Padre Miguel, na zona oeste da cidade. Autodidata, aprendeu a tocar violão de ouvido por volta dos 11 anos. Antes de viver exclusivamente da música, foi representante comercial, carregador, técnico de ar-condicionado e até cronometrista de corrida de motocicletas.
Mas foi no samba que encontrou sua linguagem definitiva. Conhecido entre seus pares como “o poeta do samba”, Jorge construiu uma obra inconfundível, recheada de verdadeiros hinos populares.
Arriscou suas primeiras composições aos 14 anos – quando escutavaJovem Guarda no rádio de casa – e aprendeu a tocar algumas canções da época em um violão emprestado.
Por já saber fazer alguns solos de guitarra, foi chamado para ser guitarrista solo de um conjunto que ensaiava em Honório Gurgel e tocava em bailes. Depois, fez parte da Ala de Compositores do Bloco Carnavalesco Cacique de Ramos.
Hoje é aniversário do sambista e nós selecionamos 10 encontros musicais inesquecíveis de Jorge Aragão para você escutar e se deleitar.
Mais sobre Jorge Aragão
Quando Jorge Aragão foi para a aeronáutica, servir na base aérea no bairro de Santa Cruz, conheceu Jotabê, que tornou-se seu grande parceiro. Ali, ele conta que os dois compuseram juntos várias canções que não eram sambas, até que um dia – entre essas composições – surgiu o clássico “Malandro”, um dos primeiros sambas de Jorge.
Isso era meados dos anos 60. Os anos foram passando, Jorge Aragão seguiu sua vida, passou a se apresentar com seu violão na noite carioca, mas ainda estava muito longe de ganhar dinheiro com música. Foi quando um dia, 10 anos depois, estava com seu violão na calçada de casa e seu vizinho – o Alcir Portela – pediu pra que ele mostrasse algumas músicas suas ao violão.
Jorge mostrou várias canções, entre elas, “Malandro”. Alcir gostou muito do que ouviu e apresentou Jorge a Neocy – que depois foi integrante do Fundo de Quintal junto com Aragão.
O sambista o levou até a Tapecar, uma gravadora importante na época, apresentou Jorge Aragão como seu “canarinho” e falou que ele tinha ótimas composições. Os executivos gostaram muito de “Malandro” e mandaram o samba imediatamente para Elza Soares, que estava no auge na época e quis incluir a canção em seu disco “Lição de Vida”, de 1976.
“Malandro” é a faixa que abre o álbum de Elza. A belíssima gravação de Elza Soares projetou o nome de Jorge Aragão para o Brasil inteiro.

Em seguida, o sambista passou a integrar o Fundo de Quintal, participando do primeiro disco do grupo, de 1980, e sendo um de seus principais compositores e letristas.
Logo depois – em 1981 – seguiu para a carreira solo, lançando o seu primeiro disco, “Jorge Aragão”, que traz várias outras parcerias com Jotabê.
Se nos anos 70 ele já era um compositor requisitado, os anos 80 consolidaram sua assinatura na voz dos maiores intérpretes do país.
Beth Carvalho foi uma das grandes responsáveis por amplificar sua obra. Em 1978, gravou “Vou Festejar” (parceria de Aragão com Dida e Neoci Dias), que se tornaria um dos maiores sucessos do samba brasileiro, um verdadeiro hino.
No ano seguinte, Beth – não por acaso chamada deMadrinha do Samba – eternizou“Coisinha do Pai” (parceria deJorge Aragão com Almir Guineto e Luiz Carlos da Vila), que repercutiu em todo o país.
A música é um dos maiores sucessos do sambista e foi composta em homenagem à sua filha Vânia, tendo ganhado uma gravação inédita em 1997 para acordar o robô Soujorner, em missão da Mars Pathfinder, em Marte. O sucesso de Jorge Aragão chegou até em outro planeta!
Com mais de 20 discos lançados e 50 anos de carreira, um dos maiores sambistas da nossa história, teve suas canções gravadas por quase todos os grandes intérpretes de samba do país, como Alcione, Zeca Pagodinho e Martinho da Vila.
Outros grandes sucessos de Jorge Aragão são as canções:
- Claridade (parceria com Nair Cruz);
- Vou Festejar (parceria com Neoci e Dida);
- Do Fundo do Nosso Quintal (parceria com Alberto Souza);
- Coisa de Pele (parceria com Acyr Marques);
- Alvará;
- Terceira Pessoa (parceria com Franco);
- Enredo do Meu Samba (parceria com Dona Ivone Lara)
- Identidade.


