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Jorge Ben Jor: O camisa 10 da Música Popular Brasileira

Antes de se tornar o “Babulina” e revolucionar a rítmica do violão brasileiro, Jorge Ben Jor alimentava um sonho comum a milhões de jovens cariocas: ser jogador de futebol profissional. O jovem Jorge chegou a vestir o manto sagrado do Flamengo, jogando nas categorias infantojuvenis do clube da Gávea. Sua habilidade com a bola nos pés era notável, e muitos acreditavam que ele seguiria os passos dos grandes craques da época. No entanto, o destino guardava para ele um tipo diferente de drible. Enquanto dividia seu tempo entre os treinos e as rodas de música em Copacabana, a vibração das cordas de nylon começou a competir com o som do apito inicial. A música acabou vencendo a disputa, mas o futebol jamais saiu do coração — ou da caneta — de Jorge Ben Jor, tornando-se um dos pilares temáticos de sua vasta e solar obra.

A relação de Jorge com o esporte bretão é intrínseca à sua sonoridade. Ele compõe como quem joga: com malícia, improviso e uma alegria contagiante que é a própria essência do “jogo bonito”. Em clássicos como “País Tropical”, ele exalta sua paixão pelo clube de coração e pela cultura nacional, mas é em músicas como “Ponta de Lança Africano (Umbabarauma)” que ele eleva o futebol ao status de poesia épica. Ao cantar o esforço, o suor e o brilho do jogador de futebol, Jorge Ben conecta a ancestralidade africana com a modernidade das arenas, transformando o gramado em um espaço sagrado de celebração negra. Ele foi um dos primeiros artistas a entender que o futebol e o samba bebem da mesma fonte de resiliência e criatividade popular, sendo ferramentas fundamentais de ascensão e orgulho para a população negra no Brasil.

O “swing” de Jorge Ben Jor, caracterizado por uma batida de violão que mistura o samba com o blues e o rock, é muitas vezes comparado à ginga de um meio-campista clássico. Ele rompeu com as estruturas tradicionais da MPB da época, trazendo uma percussividade que parecia simular o quique da bola e o movimento dos corpos em campo. Essa inovação rítmica foi o que permitiu que sua música atravessasse décadas sem soar datada. Jorge Ben criou um gênero próprio, o samba-rock, que é a trilha sonora perfeita para qualquer celebração coletiva brasileira. Sua capacidade de transformar um lance de jogo em uma metáfora para a vida é o que o torna um cronista único da nossa identidade, alguém que entende que a vitória e a derrota são apenas partes de um espetáculo maior.

Atualmente, o legado de Jorge Ben Jor como o “filósofo do futebol” na música é inquestionável. Ele mostrou que o artista negro brasileiro pode e deve transitar por todos os campos de expressão com a mesma maestria. Se o Flamengo perdeu um craque nos anos 60, o mundo ganhou um mestre da alegria que utiliza a metáfora do gol para celebrar a existência. Jorge nos ensina que a música, assim como o futebol, é um espaço de comunhão onde as barreiras sociais se dissolvem diante do talento. Ele continua sendo o nosso eterno ponta de lança, chutando para o gol da imortalidade cultural e garantindo que o swing do Brasil seja ouvido e respeitado em cada canto do planeta.

Foto: Divulgação.

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