Que a música brasileira é a melhor do mundo a gente já sabe. Mas o Brasil é um país continental e a nossa música também tem dimensões continentais.
Por isso, muito da MPB passa pela gente sem a gente nem perceber, ou muito nunca nem chega a nos encontrar. E é aí que a gente perde muitas joias preciosas e sonoridades interessantíssimas do nosso Brasil brasileiro.
É pra isso que estamos aqui! Pra que você não deixe de conhecer essas preciosidades musicais escondidas de norte a sul do nosso país, dos anos 70 até hoje, do folk mineiro ao jazz cosmopolita.
São 12 álbuns da música popular brasileira que talvez você não conheça e que vai se surpreender com cada faixa, cada acorde, cada nota.
Vamos lá?
1 – Face a Face – Simone (1977)
Um dos melhores discos da Simone, com Milton Nascimento, Beto Guedes e Danilo Caymmi do seu lado. Contradições amorosas, poesia afiada e uma voz que não poupa ninguém.
2 – Rádio Mistério – Pedro Martins (2023)
Clapton, Thundercat e Kurt Rosenwinkel aparecem aqui, mas o disco é completamente brasileiro no coração. Pedro Martins tem 30 anos e já soa como um mundo inteiro. Esse é o futuro da música brasileira acontecendo agora.
3 – Gagabirô – João Bosco (1984)
João Bosco mergulha fundo na negritude da alma brasileira e o disco inteiro pulsa com isso. Afro-cubano, samba, arranjo sinfônico de Radamés Gnattali.
4 – Se Dependesse de Mim – Wilson Simonal (1972)
Simonal num momento de virada artística e pessoal: mais sofisticado e mais verdadeiro. Produzido porNelson Motta e Roberto Menescal, é um disco que merecia ter chegado em muito mais gente e ser conhecido pelas novas gerações. Ainda dá tempo.
5 – Matança do Porco – Som Imaginário (1973)
Folk, jazz e psicodelia numa mesma respiração, sem que nada soe forçado. É uma das obras mais originais que esse país já produziu.
6 – Estereofônico – Nelson Ângelo e Joyce (1972)
Gravado quando Nelson Ângelo e Joyce eram casados, e dá pra sentir. Bossa, folk e uma psicodelia suave que cheira a interior, a tarde aberta, a algo que não existe mais, mas que esse disco guarda inteiro.
7 – Capim do Vale – Elba Ramalho (1980)
O Nordeste em todas as suas faces: áspero, poético e cheio de energia. Com Zé Ramalho, Sivuca, Alceu Valença e Geraldo Azevedo a seu lado, Elba entrega um disco que define o que é a música nordestina contemporânea.
8 – Eu Não Sou Boa Influência Pra Você – Seu Pereira e Coletivo 401 (2017)
Da cena paraibana, um disco que mistura ie-ie-iê, brega, rock rural e psicodelia sem perder a coesão. Por baixo do colorido tropical, uma poesia confessional e uma camada de melancolia que fica.
9 – Eva – Evinha (1974)
Pop brasileiro dos anos 70 em estado de graça! Diverso, original e com uma voz doce e bem colocada que conduz tudo com leveza.
10 – Pra Viajar no Cosmos Não Precisa Gasolina – Nei Lisboa (1983)
Gravado de forma independente com dinheiro de amigos, esse disco de estreia impressiona pela riqueza dos arranjos e pela personalidade. Nei mistura reggae, jazz, blues e regionalismo gaúcho com uma naturalidade que parece impossível.
11 – Quem é Quem – João Donato (1973)
Produzido por Marcos Valle, foi aqui que o pianista acreano João Donato ganhou voz (literalmente). Jazz, bossa e latinidades caribenhas numa obra que completa 50 anos tão fresca quanto no dia em que saiu.
12 – Amor de Lua – Emílio Santiago (1981)
Arranjos de João Donato e Antonio Adolfo, samba de alto nível e uma voz grave e aconchegante que envolve tudo. Um dos discos mais primorosos de Emílio, guardado no fundo do baú por tempo demais. Esse é o momento de descobrir.

