Celebrando 39 anos neste 25 de maio, a cantora e compositora soteropolitana Luedji Luna é uma das maiores vozes da MPB hoje. Para celebrá-la, vamos conhecer 15 dos seus maiores sucessos.
Tudo sobre Luedji Luna
Luedji Luna nasceu em Salvador, filha de dois funcionários públicos e militantes do movimento negro da cidade, que – desde sempre – lhe ensinaram muito sobre luta e ativismo político. A cantora recebeu dos pais, inclusive, o nome da primeira rainha africana da etnia Lunda, considerada mãe de Angola.
A ideia dos pais é que Luedji seguisse os seus caminhos na militância e mudasse a narrativa de que pessoas pretas não ocupam espaços de poder. Por isso, a artista foi estudar Direito, formando-se na Universidade do Estado da Bahia.
Mas, depois de certo tempo, Luedji Luna percebeu que podia trabalhar todas essas questões que envolviam a luta e militância de seus pais e também ocupar o seu espaço por meio da sua música. Foi assim que – finalmente – ela aceitou o chamado da arte, para a nossa sorte!
Compositora desde os 17 anos, Luedji já se apresentava na noite de Salvador, estudava na Escola Baiana de Canto Popular e fazia parte de grupos e coletivos artísticos da cidade. A artista conta que começou a escrever para romper o silêncio causado pelo racismo e discriminação que sofria na adolescência.
Suas músicas falam sobre racismo, opressão, ancestralidade, baianidade, feminismo, afetividade de mulheres negras, amor, luta, sobre a cultura e as tradições afro-brasileiras e as religiões de matriz africana, sobre pertencimento e identidade, entre outras tantas questões importantes de serem colocadas de forma tão sensível por uma cantora, compositora, mulher, negra e baiana, que – como ela mesma disse em entrevista ao jornal El País:
“Quero ser história e possibilitar que outras mulheres pretas possam construir as próprias histórias a partir de mim. Ou junto comigo. Para que, no futuro, quando se pense MPB, para além de lembrar de Elis Regina, se pense também em Luedji Luna, Xênia França, que tenhamos outros referenciais de divas, de compositoras da música popular brasileira.”.
Durante a infância de Luedji, seu pai reunia um grupo de amigos para fazer batucada no quintal de casa. O grupo, chamadoRaciocínio Lento, tocava o que havia de melhor do cancioneiro popular brasileiro.
A cantora conta que a maioria das suas influências musicais veio do que seus pais escutavam em casa: Milton Nascimento, Luiz Melodia e Djavan eram os principais nomes, assim como todo o reggae da década de 80 – como Gregory Isaac, Alpha Blond, Peter Tosh, e Edson Gomes. Daí a sua paixão pelos graves e pelos sopros.
As referências africanas, de músicos angolanos e de Cabo Verde também vieram a partir do seu primeiro disco, em nomes como Mayra Andrade, Sara Tavares, Aline Frazão, e o baiano Tiganá Santana, que compõe também em línguas banto.

Com 25 anos, Luedji Luna mudou-se para São Paulo e, no ano seguinte, lançou o seu primeiro e aclamado álbum: “Um Corpo No Mundo”, de 2017, que discute temas profundos como a diáspora negra, ancestralidade, identidade e o sentimento de não pertencimento.
O disco nasceu a partir da mudança de Luedji para São Paulo, onde o contato com imigrantes africanos despertou reflexões sobre deslocamento e conexão ancestral.
Em 2019, ela lançou um EP chamado “Mundo”, com a versão remix de cinco canções de seu primeiro disco, incluindo o grande sucesso “Banho de Folhas”, composição em parceria com Emillie Lapa.
Três anos e várias turnês nacionais e internacionais depois do primeiro disco, veio outro sucesso: o seu segundo álbum, “Bom Mesmo é Estar Debaixo D’água”, gravado parte em África e parte no Brasil, e indicado ao Grammy Latino de Melhor Álbum de Música Popular Brasileira, em 2021. Luedji também se apresentou ao vivo na premiação.
O álbum mergulha profundamente em temas de amor, afeto e na perspectiva da mulher negra.
Além do disco, o projeto consistiu na gravação de um álbum visual, dirigido por Joyce Prado, vencedora do prêmio Women’s Music Event na categoria Melhor Diretora de Clipe e cofundadora da APAN (Associação do Produtores do Audiovisual Negro). Uma das principais parceiras de trabalho da cantora, é ela quem também assina a direção do clipe do hit “Banho de Folhas”.
Em novembro de 2022, Luedji Luna lançou a versão Deluxe de “Bom Mesmo É Estar Debaixo D’água” – como um Lado B da versão anterior, incluindo 10 músicas inéditas.
Em 2025, a cantora baiana lançou dois álbuns com apenas 17 dias de intervalo: “Um Mar Para Cada Um” e “Antes Que A Terra Acabe”.
O primeiro, lançado em maio, mistura jazz, neo-soul e MPB, e conquistou enorme prestígio ao vencer o Grammy Latino de Melhor Álbum de Música Popular Brasileira/Afro Portuguesa Brasileira.
Já o segundo, lançado em junho, traz uma sonoridade mais terrena, profana e urgente, unindo uma lista impressionante de parcerias nacionais e internacionais do jazz, MPB e rap. Em 2026, a artista lançou o seu mais recente projeto, chamado “Acústico Luedji Luna”.
1 – Banho de Folhas
(parceria com Emilie Lapa)
2 – Acalanto
(parceria com DJ Nyack)
3 – Dentro Ali
4 – Um Corpo no Mundo
5 – Asas
6 – Bom Mesmo é Estar Debaixo D’água
(parceria com François Muleka)
7 – Chororô
(parceria com François Muleka)
8 – Lençóis
(parceria com Cidinha da Silva)
9 – Blue
10 – O Que é o Amor?
11 – Metáfora
(parceria com N.I.N.A.)
12 – Harém
(participação Liniker e Zudizilla)
13 – Kyoto
(participação Duda Raupp)
14 – Joia
(parceria com François Muleka, sample “Pérola Negra”, de Luiz Melodia)
15 – Ioiô
(participação Iuri Rio Branco)


