Completando 60 anos hoje, Bebel Gilberto nasceu em um berço muito musical, entre os maiores nomes da história da MPB: ela é filha de João Gilberto (que também é o pai da Bossa Nova!) e da cantora Miúcha, além de ser sobrinha de Chico Buarque!
Mas, com o passar dos anos, Bebel – além de dar continuidade ao talento e ao legado da família – foi trilhando o seu próprio caminho e hoje tem uma carreira consolidada dentro e fora do país. A cantora e compositora brasilo-estadunidense é autora de grandes sucessos da nossa música, você sabia? Hoje, vamos conhecer alguns deles!
Mais sobre Bebel Gilberto
Nascida em Manhattan, Nova York, nos Estados Unidos, quando seu pai e sua mãe moravam no país por conta da carreira internacional de João Gilberto, Bebel Gilberto teve sua estreia na música bem cedo: aos 9 anos já havia se apresentado no Carnegie Hall, em Nova York, com sua mãe e o saxofonista norte-americano de Jazz, Stan Getz. Antes ela já tinha participado – no Brasil – dos musicais “Pirlimpimpim” e “Saltimbancos”, de seu tio Chico Buarque, ao lado de sua mãe.
Ao voltar ao Brasil, Bebel tornou-segrande amiga de outro dos maiores compositores e poetas da nossa história: Agenor de Miranda Araújo Neto, o Cazuza. A amizade dos dois rendeu também grandes frutos: ao lado do amigo, Bebel Gilberto compôs os três grandes sucessos que vamos descobrir hoje.
O primeiro deles é um dos maiores hits da música popular brasileira, que a dupla compôs também acompanhada de Dé Palmeira, que foi baixista do Barão Vermelho quando Cazuza era o vocalista: “Preciso Dizer Que Te Amo”. A canção entrou para o EP de estreia de Bebel Gilberto, em 1986.
1 – Preciso Dizer Que Te Amo
Também comCazuza e Dé Palmeira a cantora compôs mais dois grandes sucessos: as canções “Mais Feliz” (que também faz parte do seu primeiro EP, “Bebel Gilberto”, de 1986) e “Mulher Sem Razão”, que Cazuza incluiu no no antológico álbum “Burguesia“, de 1989.
Ambas tornaram-se grandes sucessos na voz de Adriana Calcanhotto, a primeira em 1990 – quando a cantora a gravou no seu DVD “Voz & Violão – Ao Vivo”, e a segunda em 2008, quando entrou para o álbum “Maré“. Ney Matogrosso também gravou “Mulher Sem Razão” com sucesso em seu álbum “Beijo Bandido”, de 2009.
2 – Mais Feliz
3 – Mulher Sem Razão
Em 2000, 14 anos depois de seu primeiro disco, Bebel Gilberto lançou “Tanto Tempo”, álbum que alcançou a marca de um milhão de cópias vendidas em cidades europeias como Londres e Paris. Com o disco,a cantora e compositorainventou a chamada “bossa eletrônica”, que passou a tocar em clubes e boates de todo o mundo e posicionou Bebel Gilberto como uma das artistas brasileiras mais vendidas do Brasil nos EUA desde os anos 60.
Com seu próximo álbum, “Bebel Gilberto”, de 2004 – que conta com uma versão para a língua inglesa de “Baby”, de Caetano Veloso – a cantora foi indicada ao Grammy Awards de Melhor Disco de World Music Contemporânea, e refinou seu som para criar um estilo lounge acústico que apresentou seus pontos fortes como uma compositora brasileira.
Com o lançamento do disco “Momento”, em 2007, Bebel fez uma fusão entre Brasil e Estados Unidos – suas duas casas – sendo indicada mais uma vez ao Grammy Awards, na mesma categoria. Em 2009, concorreu mais uma vez, dessa vez com o álbum “All In One”, e – em 2020 – voltou a ser indicada ao prêmio, pela quarta vez, desta vez na categoria Melhor Álbum de Música Global, com o disco “Agora”.
Em 2015, sua música “Tudo”, composta em parceria com Adriana Calcanhotto, foi indicada ao Grammy Latino na categoria Melhor Música Brasileira.
Em 2023, a cantora lançou seu álbum mais recente: “João“, uma carta de amor musical de Bebel ao seu pai, João Gilberto, com uma coleção profundamente pessoal de canções que ele tornou famosas. Mais do que uma homenagem ao pai, o álbum é uma visita às memórias musicais mais fundamentais de Bebel Gilberto.
Uma curiosidade: Você sabia que o sucesso “Acabou Chorare”, um dos maiores clássicos da música popular brasileira de todos os tempos, foi composta em homenagem à Bebel Gilberto.
A música de Moraes Moreira, com letra de Luiz Galvão – lançada no antológico disco dos Novos Baianos, que ganhou o mesmo nome da canção, em 1972 – é explicitamente influenciada porJoão Gilberto e pela estética da bossa nova.
A letra surgiu de uma abelha que pousou na mão de Galvão. Ele foi contar para João Gilberto – seu grande amigo e um dos padrinhos musicais dos Novos Baianos – que estava fazendo uma letra sobre a relação que criou com a abelha, pensando em como ela podia voar tão alto e chegar à cobertura do 4º andar do apartamento em que a banda morava, em Botafogo.

João achou fenomenal e disse que havia conversado há pouco sobre abelhas com o poeta Capinan, que comentou sobre a abelha beijar a flor e fazer o mel. O pai da Bossa Nova completou dizendo: “E ainda faz zum-zun”. Galvão gostou muito da frase e perguntou para João Gilberto se podia utilizá-la na música.
O nome “Acabou Chorare” também veio de uma conversa de Galvão com João. O pai da Bossa Nova contou ao poeta baiano que, quando moravam no México, sua filha Bebel – ainda uma criança – se machucou e ele ficou muito aflito. Ela, percebendo a aflição do pai, tentou esconder a dor e – com a fala de quem estava ainda se alfabetizando e confundindo o português e o espanhol – acalmou-o dizendo: “Não, não! Acabou Chorare, papai!”.


