5 sucessos dos Paralamas compostos por Bi Ribeiro

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Um dos maiores baixistas do Brasil, Bi Ribeiro também é compositor de alguns dos maiores hits dos Paralamas do Sucesso, ao lado dos companheiros de banda Herbert Vianna e João Barone.

Vamos descobrir quais são esses sucessos e conhecer um pouco mais sobre cada um deles?

Tudo sobre Bi Ribeiro

Nascido Felipe da Nóbrega Ribeiro, no Rio de Janeiro, em 1961, Bi é – desde 1982 – baixista de uma das mais importantes bandas de rock brasileiras de todos os tempos: Os Paralamas do Sucesso.

Ainda criança, tornou-se amigo de Herbert Vianna, quando os dois moravam com suas famílias em Brasília, por conta dos trabalhos de seus pais. Quando voltaram ao Rio de Janeiro, para fazer cursinho pré-vestibular, os amigos – que tinham em comum a paixão pela música – decidiram formar uma banda, com Herbert na guitarra e nos vocais e Bi no baixo.

Logo que entraram na faculdade – Bi de Zootecnia e Herbert de Arquitetura – conheceram João Barone, que cursava Biologia. Não demorou muito para Barone completar a banda, ocupando a bateria. Os três largaram a faculdade e fundaram Os Paralamas do Sucesso.

Desde então, são mais de 20 álbuns e 10 DVDs lançados, além de muitos hits que embalam a nossa história. 

Em 2001, Bi Ribeiro tambémfundou um projeto paralelo aos Paralamas – o Reggae B – em que toca os grandes nomes do reggae mundial.

Para celebrar a vida do baixista e compositor carioca,, hoje vamos relembrar 5 hits dos Paralamas do Sucesso compostos por Bi Ribeiro.

Bi Ribeiro, Herbert Vianna e João Barone, a banda Os Paralamas do Sucesso | Imagem: Divulgação

1 – A Novidade

“A Novidade” nasceu em meio ao processo criativo do álbum “Selvagem?”, de 1986, quando Os Paralamas do Sucesso mergulhavam nas influências do reggae e do dub, inspirados por nomes como Bob Marley e Jimmy Cliff

A faixa, composta em um primeiro momento por Bi Ribeiro e Herbert Vianna, ainda não tinha letra – e chegou a ser cogitada como instrumental – até que, por sugestão do produtor Liminha, a banda convidou o giganteGilberto Gil para colaborar. Mesmo à distância, Gil recebeu a gravação enviada por Herbert e, em poucas horas, criou toda a letra, em um processo que ele próprio descreveu como imediato e intuitivo.

O baiano construiu uma letra que usa a figura da sereia como metáfora da desigualdade social: metade alimento – para quem tem fome – metade objeto de contemplação – para quem não tem – ampliando o tema para uma reflexão sobre um mundo profundamente desigual. Ao receber a letra, Herbert Vianna se emocionou intensamente, reconhecendo de imediato a força do texto.

O impacto da música se estendeu também ao clipe, gravado na travessia Rio-Niterói, que retrata o cotidiano duro e superlotado dos trabalhadores, reforçando visualmente a mensagem da canção.

2 – Alagados

Lançada também em 1986 no disco “Selvagem”, “Alagados” marcou uma virada na identidade dos Paralamas, que deixaram de buscar referências estrangeiras para assumir uma sonoridade mais brasileira. 

A história de “Alagados” começa com a própria trajetória de Os Paralamas do Sucesso, que, após o sucesso dos dois primeiros discos e uma intensa rotina de shows pelo Brasil em meados dos anos 80, passaram a absorver mais profundamente as diferenças sociais e culturais do país. 

Esse mergulho coincidiu com uma pausa forçada, após um acidente de João Barone – que quebrou a perna e teve que dar uma parada nos shows – levando o trio a um período mais dedicado à composição. 

Nesse processo, Herbert Vianna e Bi Ribeiro ampliaram suas referências, incorporando influências da música africana e jamaicana, ao mesmo tempo em que experiências pessoais.

Naquela época, Herbert estava lendo muito o escritor baianoJorge Amado, que trazia em seus livros quadros realistas em que descrevia sobre a Favela dos Alagados, na Bahia, local que a banda visitou, e a realidade dos pescadores de lá, e fez uma correlação com a Favela da Maré, pela qual passava quase todos os dias, no Rio de Janeiro. 

O cantor também tinha lido recentemente a biografia do Bob Marley, que falava sobre a Favela de Palafitas, na Jamaica, que era também chamada de Trenchtown, e acabou juntando as três imagens das três favelas para compor o refrão da canção.

A letra retrata o cotidiano de luta da população periférica brasileira e a música também tem a participação de Gilberto Gil. A influência do baiano é gritante em todo o disco e não havia ninguém com mais ligação com aquela sonoridade do que Gil, que bebia tanto da fonte da música africana.

Com um clipe que retrata de forma crua o cotidiano das favelas, a canção também rompeu padrões estéticos da época e influenciou toda uma geração, abrindo caminho para a mistura de gêneros e para uma abordagem mais conectada à realidade brasileira no rock nacional.

3 – Melô do Marinheiro

Composta por Bi Ribeiro e João Barone, justamente neste período de pausa forçada da banda quando Barone quebrou a perna,  “Melô do Marinheiro” também foi lançada pelos Paralamas do Sucesso em 1986, no álbum “Selvagem?”.

A canção é um reggae leve e bem humorado que conta a história de um cara que acaba “entrando de gaiato” em um navio e – achou que assim ia conhecer o mundo inteiro de graça, mas – no fim – teve mesmo é que trabalhar junto com a tripulação, “descascando batata no porão”, sem descer em lugar nenhum.

“Entrar de gaiato” é uma expressão popular brasileira que se popularizou muito com essa música e que significa envolver-se em uma situação, projeto ou local sem planejamento, experiência ou conhecimento prévio, muitas vezes resultando em se dar mal, ser enganado ou passar por apuros. É sinônimo de entrar de penetra, sem ser convidado ou sem saber onde está se metendo.

O título foi inspirado pela Rádio Mundial AM do Rio de Janeiro, que usava o termo “Melô” para parodiar sucessos internacionais.

“Melô do Marinheiro” conta com um trecho incidental da canção tradicional “Marinheiro Só”, com um tributo especial à versão da cantora Clementina de Jesus.

4 – Selvagem

Já que falamos tanto desse disco dos Paralamas do Sucesso, nada melhor do que destacar a música-título, “Selvagem”, que também é uma composição do trio: Herbert, Bi e Barone.

A canção utiliza a expressão “apresentar suas armas” como uma metáfora para mostrar como diferentes forças da sociedade exercem poder, controle ou resistência sob outras. Quando a letra fala da polícia exibindo escudos, cassetetes e capacetes, a banda está chamando atenção para a repressão e para o aparato de controle social. 

Já quando menciona o governo, a crítica se volta ao discurso político vazio e às promessas que não se concretizam, sugerindo que a violência também pode acontecer por meio da omissão e da manipulação, não apenas pela força física.

A música amplia ainda mais o significado dessas “armas” ao falar da própria cidade, mostrando a pobreza, os meninos nos sinais e as pessoas em situação de rua como parte de uma realidade que expõe a desigualdade social. Nesse sentido, a miséria aparece como algo que assusta, gera medo e acaba alimentando problemas maiores, como a violência urbana, descrita na letra como um “grande monstro” que a própria sociedade ajuda a criar quando ignora essas questões.

Por fim, a canção também fala da população preta brasileira, mostrando que suas “armas” para lidar com a vida e sobreviver são fruto das marcas da história: o racismo e uma escravidão que nunca foi realmente abolida.

5 – O Beco

O hit “O Beco” foilançado pelos Paralamas do Sucesso em 1988, no álbum “Bora-Bora” e é uma crítica contundente à naturalização da violência urbana e à apatia social no Brasil. Composta por Bi Ribeiro em parceria com Herbert Vianna, a canção também retrata o caos das grandes cidades.

A letra aborda o choque com a banalização do perigo, onde a brutalidade se torna parte da rotina cotidiana, gerando anestesia emocional nos cidadãos e destaca o contraste entre a urgência da violência e a indiferença das pessoas, já acostumadas a essa triste realidade.

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