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Anitta e Carmen Miranda: duas brasileiras que conquistaram o mundo em tempos diferentes

A história da música brasileira tem muitos nomes importantes, mas poucos artistas conseguiram atravessar fronteiras de forma tão marcante a ponto de se tornarem, de alguma maneira, representantes do próprio país no exterior. Em épocas diferentes, com linguagens distintas e em mercados completamente transformados, duas mulheres brasileiras ocuparam esse lugar: Carmen Miranda e Anitta.

Mais do que artistas de sucesso, as duas ajudaram a construir uma ideia de Brasil para o mundo: cada uma à sua maneira, dentro das possibilidades e limitações de seu tempo.

Anitta já declarou várias vezes que a veterana Carmen Miranda é uma das suas grandes inspirações. Por isso, hoje – no dia do aniversário da nossa “Girl From Rio” – vamos traçar um paralelo entre essas duas grandes artistas e entender como elas levaram a música brasileira para o mundo com um alcance jamais imaginado.

Anitta caracterizada de Carmen Miranda: uma de suas maiores inspirações | Imagem: Divulgação

Carmen Miranda e o Brasil que o mundo descobria

Quando Carmen Miranda começou a fazer sucesso, nos anos 1930, o mundo conhecia muito pouco sobre o Brasil. O rádio era o principal meio de comunicação de massa, o cinema começava a se consolidar como indústria global e Hollywood já entendia o poder das imagens na construção de narrativas culturais.

Foi nesse contexto que Carmen Miranda se tornou um fenômeno. Cantora de enorme sucesso no Brasil, ela rapidamente chamou atenção fora do país e, ao se mudar para os Estados Unidos, passou a atuar em filmes musicais e shows, tornando-se uma das artistas mais conhecidas do planeta naquele período. Sua imagem – os turbantes com frutas, as plataformas, as roupas cheias de cores vibrantes – virou praticamente uma marca registrada.

Mas Carmen Miranda não exportava apenas música. Ela exportava uma ideia de Brasil: tropical, festivo, musical, exótico aos olhos estrangeiros. Era um país transformado em espetáculo, muitas vezes simplificado e estereotipado, mas que pela primeira vez ganhava visibilidade cultural em escala internacional.

Ao mesmo tempo em que abriu portas, Carmen também viveu as contradições desse processo. Em muitos momentos, foi criticada no próprio Brasil por supostamente reforçar estereótipos, enquanto no exterior era vista como a personificação de toda a América Latina. Ainda assim, sua importância histórica é incontestável: ela foi a primeira artista brasileira a se tornar uma estrela global de fato, em uma época em que isso parecia praticamente impossível.

Em 1941, Carmen Miranda tornou-se a primeira artista latino-americana a deixar as impressões de suas mãos e pés no cimento do TCL Chinese Theatre(na época, Grauman’s Chinese Theatre), em Hollywood. Esta homenagem consagrou a “Pequena Notável” (seu apelido fora do Brasil) consolidando sua posição como estrela internacional e ícone cultural brasileiro.

Anitta e o Brasil que aprende a se mostrar

Décadas depois, em um mundo completamente diferente – com internet, streaming, redes sociais e um mercado musical globalizado – é Anitta quem passa a ocupar esse espaço de artista brasileira com imensa projeção internacional.

Mas o caminho que ela percorre é outro.

Se Carmen Miranda chegou ao mundo por meio do rádio, do cinema e dos tetaro de revista, Anitta construiu sua carreira global a partir da lógica da indústria fonográfica contemporânea: parcerias estratégicas, feats internacionais, músicas em diferentes idiomas (e falando fluentemente vários deles!), presença digital, planejamento de mercado e posicionamento de imagem. Sua trajetória internacional não aconteceu por acaso, mas como parte de um projeto claro de carreira.

A cantora, que começou no funk carioca e construiu primeiro uma carreira sólida no Brasil, aos poucos expandiu seu trabalho para o mercado latino e, depois, para o mercado global, gravando em espanhol e inglês e colaborando com artistas de diferentes países. Mais do que atravessar fronteiras, ela aprendeu a circular entre mercados diferentes, algo fundamental para artistas do século XXI.

E levou o funk carioca para o mundo, depois de o próprio Brasil ter – por muito tempo estigmatizado o gênero, o ritmo e todo o movimento que o funk representa.

Nesse caminho, a referência a Carmen Miranda nunca esteve distante. Anitta já citou diversas vezes a artista como inspiração, principalmente pelo fato de ela ter sido a primeira brasileira a conquistar o mundo em grande escala. E por ser mulher, é claro! Uma mulher que sofreu as consequências de ser mulher em um meio – e uma sociedade – tão machista e patriarcal (antes e ainda hoje).

De certa forma, Carmen mostrou que era possível. Anitta mostrou que era possível fazer isso de outra maneira. Mostrando quem nós realmente somos e não quem os gringos pensam que somos.

Duas épocas diferentes, dois Brasis em um só

O paralelo entre as duas artistas ajuda também a entender como a imagem do Brasil no exterior mudou ao longo das décadas.

O Brasil de Carmen Miranda era o Brasil do samba, do carnaval, das cores, da alegria tropical – uma imagem construída em grande parte para o olhar estrangeiro, dentro da lógica do entretenimento de Hollywood e da política de boa vizinhança entre Estados Unidos e América Latina na década de 1940.

Já o Brasil que Anitta apresenta ao mundo é outro. É um país urbano, diverso, que mistura funk, samba, bossa nova, pop, reggaeton e eletrônico. Um Brasil que não cabe em um único ritmo ou em uma única estética. Se Carmen representava um Brasil quase mítico e tropicalizado, Anitta apresenta um Brasil contemporâneo, múltiplo e globalizado.

Há também uma mudança importante no papel da mulher nessa narrativa. Carmen Miranda, apesar de extremamente talentosa e bem-sucedida, muitas vezes teve sua imagem controlada por empresários, estúdios e pela própria indústria cultural da época. Sua personagem pública era cuidadosamente construída para atender às expectativas do mercado internacional – e isso levou-a inclusive a ter problemas de saúde que nos deixaram órfãos do seu talento cedo demais.

Anitta, por sua vez, pertence a uma geração de artistas que não apenas participam da indústria – mas aprendem a moldá-la e até a dominá-la. Empresária de si mesma – depois de passar muito perrengue, boicote e preconceito para conseguir atingir esse status – estrategista de carreira e figura central nas decisões sobre sua música e sua imagem, ela representa uma artista que não apenas performa, mas também planeja, negocia e dirige a própria trajetória.

E a caminhada continua

No aniversário de Anitta, olhar para sua carreira e colocá-la ao lado da trajetória de Carmen Miranda é mais do que um exercício de comparação entre duas artistas de sucesso. É, na verdade, observar como o Brasil foi sendo apresentado ao mundo ao longo do tempo.

Carmen Miranda abriu as primeiras portas quando o país ainda era pouco conhecido internacionalmente e Anitta atravessa essas portas em um mundo globalizado, competitivo e digital, onde artistas de diferentes países disputam atenção o tempo todo.

Entre uma e outra está a transformação do próprio Brasil, da indústria cultural e do lugar das mulheres dentro dessa história.

Duas artistas, dois tempos, mas a mesma capacidade de transformar música em identidade e carreira em história, levando o nosso Brasil ao mundo inteiro!

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