Quem ouve a Novabrasil já sabe: tem um cantinho da nossa programação todo dedicado ao Nordeste, afinal, essa região já nos deu muito e continua nos salvando sempre que precisamos, não é mesmo?
O programa Sons do Nordeste apresentado pela cantora e compositora Mariana Aydar e pelo radialista Fabio Cesar vai ao ar todo domingo, às 9h, na rede Novabrasil. O programa nasceu para celebrar a diversidade de uma das regiões que mais ajudaram a construir a identidade da música brasileira. E o episódio do último domingo foi uma boa tradução disso.
Começamos com João Gomes, um dos artistas que vêm renovando a música nordestina para uma geração que talvez tenha chegado ao forró pelo piseiro, mas que acaba descobrindo, por meio dele, uma história muito anterior. João cantou “Endoideceu Meu Coração”, composição de Nando Cordel, e abriu caminho para um programa que passeou por tempos, sotaques e diferentes maneiras de traduzir o Nordeste em música.
Teve Dominguinhos, Luiz Gonzaga com Elba Ramalho, Trio Nordestino, Petrúcio Amorim, Os 3 do Nordeste e Lenine cantando “Respeita Januário”, clássico de Gonzagão e Humberto Teixeira inspirado justamente no pai de Luiz Gonzaga. Mas uma das coisas que eu mais gosto no Sons do Nordeste é que memória, aqui, nunca significa ficar olhando apenas para trás.
No quadro Nordeste em Cena, conhecemos melhor Thaís Nogueira, cantora e compositora sergipana que carrega o forró praticamente no DNA: filha do cantor e sanfoneiro Erivaldo de Carira, neta do sanfoneiro Manezinho de Carira e irmã de Mestrinho, ela começou profissionalmente aos 12 anos e vem mantendo viva a tradição do pé de serra.

E ainda teve Alceu Valença, Xande de Pilares encontrando “Anunciação” e “Só Quero um Xodó”, Lucy Alves, Gilberto Gil e Waldonys.
No fundo, é isso que o Sons do Nordeste tenta mostrar a cada edição: tradição não é peça de museu. Ela permanece viva justamente porque passa de mão em mão, muda de roupa, encontra outras vozes e continua dizendo quem somos.
E enquanto houver uma sanfona puxando o fole e uma nova geração disposta a escutar — e reinventar — essa história, o Nordeste continuará produzindo alguns dos sons mais bonitos do Brasil.

