Câncer de testículo: tumor em jovens ainda é descoberto tarde, apesar de alta cura

Apesar de ser um dos cânceres com maiores chances de cura, o câncer de testículo ainda é diagnosticado tardiamente em muitos casos, especialmente entre adolescentes e adultos jovens. O tumor é mais frequente na faixa dos 15 aos 35 anos, período em que muitos homens se sentem saudáveis e acabam adiando a procura por atendimento, mesmo diante de sinais de alerta.

O urologista Marcos Tobias Machado destaca que a diferença, na maioria das vezes, não está na falta de tratamento, mas no tempo que se leva para perceber e investigar o problema. “As taxas de cura ultrapassam 90% quando o diagnóstico é feito precocemente”, afirma o médico.

Além da pouca atenção ao próprio corpo, tabus em torno da saúde masculina e o desconforto em falar sobre a região íntima contribuem para o atraso. Como a doença pode evoluir sem interferir de imediato na rotina, no desempenho físico ou na vida sexual, é comum que passe despercebida por meses.

Foto: Divulgação

Quando o corpo dá sinais

O sintoma mais frequente é o aparecimento de um nódulo ou endurecimento em um dos testículos — e nem sempre há dor. Também podem ocorrer aumento de volume, assimetria perceptível, sensação de peso na bolsa testicular ou desconforto persistente na região.

O médico ressalta que a ausência de dor pode levar à falsa sensação de que não há gravidade. “Não é normal sentir caroços duros ou notar crescimento progressivo de um dos testículos; qualquer mudança deve ser avaliada”, alerta o especialista.

Uma forma simples de perceber alterações é o autoexame testicular, que pode ser feito durante o banho, quando a bolsa escrotal tende a ficar mais relaxada. A orientação é buscar avaliação médica se surgir algo novo ou diferente do habitual, mesmo que não exista incômodo.

Impactos no tratamento e na fertilidade

Quando o diagnóstico acontece mais tarde, aumentam as chances de necessidade de tratamentos mais intensos, como quimioterapia e radioterapia. Em alguns casos, além da cirurgia para retirada do tumor, pode ser necessária a abordagem de linfonodos na região abdominal, o que pode afetar a fertilidade de forma temporária ou permanente.

Por isso, a preservação da fertilidade deve entrar na conversa com o especialista, especialmente porque a doença atinge muitos homens que ainda não tiveram filhos. “Vale a pena discutir a possibilidade de congelamento do sêmen antes do tratamento”, destaca o urologista.

Diagnóstico precoce reduz agressividade do tratamento

A investigação costuma incluir exame clínico, ultrassonografia e exames laboratoriais específicos. Identificar a doença no início aumenta as chances de controle com intervenções menos agressivas e melhora o prognóstico.

Em muitos casos, a cirurgia para retirada do testículo afetado é suficiente para controlar o tumor, com preservação da vida sexual e, frequentemente, da capacidade reprodutiva — especialmente quando há acompanhamento adequado.

Especialistas reforçam que falar sobre câncer de testículo não deveria ser motivo de constrangimento, mas uma medida de autocuidado. A combinação de informação, atenção aos sinais e procura rápida por avaliação médica é o que mais contribui para manter altas as chances de cura.

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