Cinco músicas que falam da culinária brasileira

Novabrasil
Novabrasil
Somos uma emissora que privilegia a MPB como alicerce de nossa programação, creditando ao estilo musical sua devida importância como um dos maiores patrimônios brasileiros. Nos colocamos como uma solução multiplataforma que foca em conteúdo para engajar a audiência e aproximá-las de maneira relevante e pertinente das marcas. A Novabrasil faz parte do Grupo Thathi, conglomerado de comunicação que conta com o Portal TH+, além de emissoras de rádio e televisão em mais de 400 cidades de várias regiões do país.

A culinária e a música são irmãs siamesas na cultura brasileira. Ambas nascem do encontro de povos, da mistura de temperos e ritmos, da criatividade de quem faz muito com pouco. Desde o samba até o forró, o ato de comer sempre foi cantado como uma forma de amor e de resistência. Afinal, em um país onde a mesa nem sempre foi farta para todos, celebrar a comida é também afirmar a vida.

Uma das primeiras músicas a eternizar esse vínculo é “Vatapá”, de Dorival Caymmi. Em versos saborosos, Caymmi descreve a preparação do prato baiano com humor e afeto. O vatapá, com seu dendê e sua textura marcante, simboliza a mistura que é o Brasil. A canção é um retrato da Bahia, mas também um hino à cozinha negra que formou a base da gastronomia nacional.

Décadas depois, Chico Buarque trouxe “Feijoada Completa”, uma das mais alegres celebrações da culinária brasileira. A música, embalada em samba, fala da reunião, do encontro e do prazer de cozinhar para os amigos. A feijoada, prato nascido das senzalas e reinventado nas rodas de samba, é símbolo de resistência e partilha. Chico, com sua ironia leve, transforma a receita em poesia e reforça a ideia de que comer juntos é um ato político de união.

Djavan, em “Açaí”, faz da fruta amazônica um símbolo de brasilidade. A canção mistura sensualidade e natureza, mostrando que o alimento também é metáfora de desejo e de pertencimento. Cada palavra parece carregada de cor e sabor. O açaí, tão presente na cultura nortista, ganha no verso de Djavan a força de um elemento sagrado, quase místico.

Mart’nália, com “Tempero, Amor e Humor”, traduz o espírito carioca e a alegria de quem vê na cozinha um lugar de trocas e risadas. A artista mostra que o tempero da vida está na simplicidade e que a arte de cozinhar é também a arte de cuidar.

Mart’nália. Foto: Elisa Bessa e Vinicius Cruz / Divulgação.

E, num tom mais crítico, os Titãs lançaram “Comida”, uma música que fala da fome física e simbólica. “A gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte” tornou-se um manifesto social, lembrando que a fome é também falta de cultura, de afeto, de dignidade.

Essas músicas, embora tão diferentes entre si, têm algo em comum: elas transformam o cotidiano em poesia e mostram que o Brasil se alimenta de sons, de cheiros e de histórias. Ouvir essas canções é como sentar à mesa com a própria alma brasileira. Cada prato é um ritmo; cada nota, um tempero. E, enquanto houver música, a fome de beleza continuará saciada.

Essa publicação é fruto de uma parceria especial entre a Novabrasil e o Fórum Brasil Diverso, evento realizado pela Revista Raça Brasil nos dias 10 e 11 de novembro, que celebra a diversidade, a cultura e a potência da música negra brasileira. Não perca a oportunidade de participar desse encontro transformador — inscreva-se já www.forumbrasildiverso.org

COMPARTILHAR:

Participe do grupo e receba as principais notícias de Campinas e região na palma da sua mão.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do WhatsApp.

NOTÍCIAS RELACIONADAS