O medo da dor ainda é um dos principais motivos que fazem muitas pessoas adiarem ou até desistirem de uma cirurgia plástica. Mas, segundo a cirurgiã plástica Dra. Mariana Fernandes Zalli, esse receio nem sempre corresponde ao que acontece hoje na prática.
“A cirurgia plástica evoluiu de forma significativa nos últimos anos, e o controle da dor passou a ser tratado como parte essencial do planejamento cirúrgico, antes mesmo do paciente entrar no centro cirúrgico”, afirma a médica.
Dor existe, mas não como muita gente imagina
A especialista ressalta que é importante alinhar expectativas: algum desconforto pode acontecer, especialmente nos primeiros dias. Ainda assim, a ideia de uma dor forte, prolongada e incapacitante não é mais a regra quando o procedimento é bem indicado e conduzido.
“É importante ser honesto: existe, sim, um grau de desconforto no pós-operatório. No entanto, aquela dor intensa, incapacitante e prolongada, que muitas pessoas associam à cirurgia plástica, não faz parte do padrão atual dos procedimentos”, diz.
Ela explica que a sensação varia de pessoa para pessoa e depende de fatores como tipo de cirurgia, extensão do procedimento, cicatrização e sensibilidade individual. “Ainda assim, a maioria relata desconforto controlável, especialmente nos primeiros dias, com melhora progressiva ao longo da recuperação”, pontua.
O que mudou para a recuperação ficar mais confortável
Entre os principais motivos para um pós-operatório mais leve, a médica destaca a evolução das técnicas cirúrgicas. “O avanço das técnicas cirúrgicas permitiu abordagens menos traumáticas, com menor agressão aos tecidos, o que se traduz em menos dor, menos sangramento e recuperação mais rápida”, afirma.
Outra mudança importante está na anestesia, que se tornou mais segura e ajustada ao perfil de cada paciente. “A anestesia evoluiu de forma expressiva, tornando-se mais segura, personalizada e ajustada ao perfil de cada paciente”, explica.
Além disso, protocolos estruturados passaram a organizar os cuidados antes, durante e depois do procedimento. “O controle da dor hoje é multimodal, combinando diferentes estratégias para reduzir o uso excessivo de medicamentos e aumentar o conforto do paciente desde o primeiro dia”, diz a cirurgiã.

Planejamento e orientação ajudam a reduzir a ansiedade
Para a médica, uma recuperação mais tranquila começa antes mesmo da cirurgia. “O planejamento cuidadoso, a escolha adequada do procedimento e uma boa orientação pré-operatória ajudam a alinhar expectativas e reduzem a ansiedade, que por si só pode intensificar a percepção da dor”, afirma.
Seguir as orientações, respeitar o repouso e entender que cada corpo responde de um jeito também fazem parte do processo. “O objetivo da cirurgia plástica moderna não é apenas o resultado estético, mas garantir que todo o processo aconteça com segurança, acolhimento e o menor desconforto possível”, conclui.
Para quem pensa em fazer um procedimento, a recomendação é buscar informação e conversar abertamente com o cirurgião sobre como a dor é prevenida e controlada hoje. Esse diálogo, segundo a especialista, ajuda a transformar insegurança em confiança e torna o caminho até o resultado desejado mais leve do que muitos imaginam.



