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Edgar lança REWIND e reorganiza sua obra a partir do reggae, do dub e da cultura de sound system

Edgar nasceu em Guarulhos (SP) e começou sua trajetória nos sound systems periféricos da cidade, especialmente no Djanguru Sound System, onde teve as primeiras experiências no microfone. Estreou em 2018 com o álbum Ultrassom, produzido por Pupillo, que figurou em listas de melhores discos do ano e projetou seu nome na cena independente brasileira. Na sequência, lançou Ultraleve (2021), o EP Ultravioleta (2022) e Universidade Favela (2024).

Após uma sequência de trabalhos que o consolidaram como uma das vozes mais importantes da música urbana brasileira, Edgar – Novissimo Edgar – lança REWIND, álbum em que reorganiza sua obra a partir do reggae, do dub e da cultura de sound system – territórios que atravessam sua formação desde os primeiros anos na cena periférica de Guarulhos.

O disco não opera como uma mudança abrupta de estilo, mas como um gesto de retorno consciente, em que referências formativas passam a ocupar o centro da linguagem artística do músico. “O título representa um momento de rebobinar, não só na música, mas também na vida pessoal. É a ideia de voltar às origens e olhar para raízes que, em alguns momentos, não receberam tanta atenção”, afirma Edgar. “O reggae faz parte da minha formação desde o começo, principalmente dentro da cena de sound system”.

Em REWIND, a cultura de sound system surge como referência estética e política, trazendo o grave para o centro da experiência musical e o deslocando da relação com o som do espaço íntimo do fone. O álbum se constrói nesse diálogo entre rua, palco e estúdio, em colaboração com produtores e artistas ligados à mesma cena independente. “Esse trabalho é sobre a cultura sound system, da galera que faz a parada na rua, na resistência, levando o trampo na cara e na coragem. Foi esse movimento que me deu vontade de trazer isso para o meu trabalho atual”.

Abrindo o disco, “Pode Até Tentar” é um gesto de afirmação diante da própria dúvida criativa. “Copy With Guns” e “Mão Pro Alto” tensionam temas sociais a partir da linguagem do reggae, enquanto “Baila Loko” e “Beija e Abraça” ampliam o território do álbum ao dialogar com cumbia e funk. Em “Zum, Zum, Zum”, Edgar revisita uma composição da juventude em chave dub, ativando o gesto de retorno que atravessa

o projeto. Já faixas como “Jah Alone”, “Je Suis Défoncé” e “Comme Une Flèche” aprofundam a pesquisa com atmosferas mais noturnas, com o uso de outros idiomas e com a dimensão mais experimental do trabalho. “Eu falo de coisas pessoais, da vivência na periferia, da violência policial, mas, neste álbum, busco mais sensações do que mensagens diretas. É tentar despertar memórias e paisagens sonoras”, afirma.

Produzido de forma colaborativa, REWIND reúne riddims assinados por Jamil Djanguru, Dang, Ruy Rascassi, Thiago Duarte e Kazvmba, com gravações de voz realizadas no estúdio Rude.Ark. A cantora francesa Matilde participa dos arranjos vocais e das faixas em inglês e francês, ampliando a pesquisa do artista com outros idiomas e camadas de interpretação. A mixagem é de BuguinhaDub, com master de Arthur Joly.

“Esse lançamento representa uma maturidade de poder fazer o que eu quero, sem me preocupar com mercado ou tendências. Estou fazendo música do jeito que eu gosto, de forma independente”, resume.

Mais do que um retorno estético, REWIND marca um reposicionamento do artista no presente. Ao rebobinar referências formativas, Edgar reorganiza sua obra a partir de um eixo que sempre esteve em sua trajetória, afirmando a escuta como gesto corporal, coletivo e político.

Foto: Vicente Otavio.

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