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Cisto no cérebro: quando é só acompanhar e quando pode precisar de cirurgia

Receber o resultado de um exame com a expressão “cisto cerebral” costuma assustar. A palavra dá a impressão de algo grave, mas nem sempre é. Em muitos casos, trata-se de uma alteração benigna, que não provoca sintomas e pode ser apenas observada ao longo do tempo.

Como explica o neurocirurgião Baltazar Leão, “cistos cerebrais são formações preenchidas por algum tipo de líquido que podem surgir em diferentes regiões do cérebro e, na maioria das vezes, são benignos e não causam sintomas”. Ainda assim, há cenários em que essas lesões precisam ser acompanhadas com atenção e, em casos específicos, tratadas.

O que é um cisto cerebral e por que ele aparece

De forma simples, cistos cerebrais são “cavidades preenchidas por alguma substância de consistência líquida, geralmente semelhantes ao líquido cefalorraquidiano”. Eles podem estar presentes desde o nascimento ou surgir ao longo da vida, por exemplo após infecções, traumas ou processos inflamatórios.

Entre os tipos mais frequentes estão os cistos aracnoides e coloidais, além de algumas lesões císticas relacionadas a tumores, cada uma com comportamento próprio. Em geral, o achado aparece por acaso, quando o paciente faz um exame por motivos como dor de cabeça ou tontura. Muitos desses cistos permanecem estáveis por anos, sem causar impacto na saúde.

Quando o cisto pode causar sintomas

Os sintomas tendem a surgir quando o cisto aumenta de tamanho e passa a pressionar áreas do cérebro ou a atrapalhar a circulação do líquido que protege o sistema nervoso. Nesses casos, podem aparecer dor de cabeça persistente, enjoo, vômitos, crises convulsivas, alterações na visão, dificuldade de equilíbrio e mudanças no comportamento e no raciocínio.

Nem sempre, porém, o sintoma tem relação direta com o cisto. O especialista alerta: “é importante lembrar que nem toda dor de cabeça em pessoas que têm um cisto no cérebro é causada por esse cisto”. Por isso, a avaliação precisa considerar o tamanho e a localização da lesão, além do seu comportamento ao longo do tempo.

Foto: Freepik.

Observar ou operar: como é tomada a decisão

A conduta mais comum é o acompanhamento. “A maioria dos cistos cerebrais não exige cirurgia”, afirma o médico, destacando que exames periódicos podem ser suficientes para confirmar que a lesão não está crescendo e não representa risco.

A cirurgia costuma entrar em pauta quando há sintomas claramente associados ao cisto, crescimento progressivo ou risco de bloqueio do fluxo do líquido cerebral, o que pode levar a complicações como

hidrocefalia. Segundo o artigo, “as técnicas atuais permitem abordagens menos invasivas, incluindo procedimentos endoscópicos, que reduzem riscos e tempo de recuperação”.

No fim, a decisão é individualizada: “a decisão de operar deve ser estudada caso-a-caso”, considerando idade, estado clínico, impacto na qualidade de vida e riscos do procedimento. Em comum, fica a orientação central do especialista: informação correta, acompanhamento com profissional habilitado e decisões bem fundamentadas ajudam a evitar tanto intervenções desnecessárias quanto atrasos quando o tratamento é realmente indicado.

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