A cronologia que envolve o filme sobre Bolsonaro desmente a versão de que o contrato com a gestão Ricardo Nunes em SP ocorreu antes do início da produção do longa. O que liga os dois pontos são a dona da ONG Instituto Conhecer Brasil, Karina Gama, que também é dona da produtora GoUp Entertainment, responsável pelo filme sobre Jair Bolsonaro.
A ONG Instituto Conhecer Brasil firmou um contrato com a prefeitura de São Paulo em 2024, segundo informações da própria gestão. O contrato foi no valor de R$ 108 milhões para fornecimento de Wi-fi gratuito na capital. O prefeito Ricardo Nunes chegou a declarar que Karina é “decente, trabalhadora“, e que as alegações de irregularidades se tratam de “perseguição política“.
E a Scretaria Municipal de Inovação complementou: “o chamamento público, aberto por 30 dias para qualquer entidade interessada, ocorreu em 2024“. E isto comprovaria que era quando não havia sequer produção do filme mencionado“.
Da mesma forma, o senador e pré-candidato ao Planalto, Flávio Bolsonaro, disse que o “contrato é de muito antes de começar a ter alguma ideia de filme“, e que “nada tem até ver com o filme“.
Acontece que Eduardo Bolsonaro e Mario Frias, executivos de “Dark Horse”, contrataram a GoUp em janeiro de 2024, segungo revelou o The Intercept. Ou seja, no mesmo ano da contratação entre a outra ONG da Karina com a gestão Ricardo Nunes.
Investigações
A prefeitura de São Paulo e a ICB entraram na mira da Polícia Civil paulistana nesta segunda-feira, primeiro de junho. As investigações apontam o desvio de R$ 26 milhões de reais e possível “desvio de funcionalidade“.
A instituição de Karina Gama é prestadora de serviços em educação e editora, mas não tem experiência na área de comunicação. Tanto quanto a GoUp, que nunca realizou nenhum filme antes.
A reportagem entrou em contato com as assessorias de Eduardo Bolsonaro e Mario Frias, que não apresentaram comprovantes de datas divergentes, mas não negaram a cronologia.


