A corrida de rua deixou de ser moda passageira e virou hábito de bem-estar. Para o fisioterapeuta João Douglas Gil, o impacto vai além do físico: “a corrida é mais do que um esporte. É um diálogo silencioso entre corpo e mente, um espaço de reencontro consigo mesmo”.
Pesquisas publicadas no British Journal of Sports Medicine indicam que correr com regularidade pode reduzir em até 30% o risco de mortalidade por todas as causas, inclusive por doenças cardiovasculares e depressão. A explicação envolve a liberação de endorfina, serotonina e dopamina, neurotransmissores ligados ao prazer e ao bem-estar.
Acessível e transformadora
Diferente de modalidades que pedem equipamentos caros ou locais específicos, a corrida é simples: um par de tênis e disposição bastam. “A corrida é uma forma de saúde democrática”, resume Gil. Ele sugere começar aos poucos: trote de 5 minutos, intercalado com caminhada, para que o corpo se adapte no ritmo certo.
Com o tempo, o coração trabalha de forma mais eficiente, a respiração aprofunda e a autoconfiança cresce. “Correr é simples, mas o efeito é profundo”, afirma o especialista.

Prevenção contra lesões
O entusiasmo do início pode virar frustração se houver dor. Lesões em joelhos, tornozelos e quadris são comuns quando a progressão é rápida demais ou sem orientação. Por isso, Gil recomenda avaliação médica e fisioterapêutica antes de começar, além de um plano que inclua:
- · fortalecimento muscular
- · mobilidade articular
- · progressão gradual da carga de treino
“Como fisioterapeuta, observo diariamente o impacto positivo da corrida, mas também o valor da prevenção, que mantém o corredor ativo por anos, e não apenas por meses”, diz.
Para ele, a corrida é, ao mesmo tempo, meditação e superação. “É o corpo dizendo à mente: ‘estamos vivos, seguimos em frente’.” E o conselho final é direto: procure bons profissionais para orientar o início e siga no seu ritmo. O resto, passo a passo, vem junto.



