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Criolo e a força de cantar o bairro: a música como memória e pertencimento

A música, muitas vezes, nasce da vivência cotidiana. É no beco, na rua, no bar da esquina e no quintal que surgem histórias que se transformam em canções. Para muitos artistas negros, cantar o bairro e a cidade de origem não é apenas um ato poético, mas um gesto de resistência, memória e pertencimento. No Brasil, poucos nomes representam isso tão bem quanto Criolo, rapper e cantor paulistano que fez do Grajaú bairro periférico da zona sul de São Paulo onde nasceu e cresceu uma presença constante em sua obra.

Desde seus primeiros trabalhos, Criolo nunca deixou de homenagear o Grajaú, transformando suas ruas em versos e suas vivências em narrativas que tocam ouvintes de diferentes lugares. Em músicas como “Grajauex”, ele mostra que a periferia é berço de cultura, afeto e criatividade, muito além do estigma da violência. Sua trajetória é exemplo de como a arte pode nascer da margem e ocupar o centro, levando consigo a identidade e o orgulho do lugar de origem.

Essa tradição, no entanto, não é exclusiva de Criolo. A música brasileira tem inúmeros exemplos de artistas que cantaram suas cidades e bairros como parte de sua identidade. Cartola, por exemplo, eternizou o bairro de Mangueira, no Rio de Janeiro, em sambas que falam da comunidade e da escola de samba que se tornou símbolo nacional. Bezerra da Silva também fez das favelas cariocas o cenário de suas músicas, transformando personagens do cotidiano em protagonistas de suas histórias.

Na Bahia, Gilberto Gil e Caetano Veloso sempre trouxeram Salvador para dentro de suas canções, valorizando a musicalidade e a espiritualidade da capital baiana. Mais recentemente, artistas como Emicida seguem essa linha, homenageando a zona norte de São Paulo, especialmente a região de onde veio, ao mesmo tempo em que constroem pontes entre suas raízes e o mundo.

Gilberto Gil. Foto: Divulgação.

O que une todos esses artistas é a convicção de que cantar o bairro e a cidade não é apenas uma escolha estética, mas um ato político e afetivo. É afirmar que a periferia, os subúrbios e as comunidades são centros pulsantes de cultura e humanidade. Criolo, com sua voz carregada de poesia e crítica social, reafirma esse legado e mostra que cada rua, cada esquina e cada memória podem se transformar em música que ecoa muito além de suas fronteiras.

Celebrar os lugares de origem é também preservar histórias coletivas. É garantir que a memória de um bairro não se perca no tempo, mas siga viva nas canções que atravessam gerações. Com Criolo e tantos outros, a música brasileira prova que a verdadeira riqueza está em cantar de onde se veio e, ao fazê-lo, transformar o local em universal.

Essa publicação é fruto de uma parceria especial entre a Novabrasil e o Fórum Brasil Diverso, evento realizado pela Revista Raça Brasil nos dias 10 e 11 de novembro, que celebra a diversidade, a cultura e a potência da música negra brasileira. Não perca a oportunidade de participar desse encontro transformador — inscreva-se já www.forumbrasildiverso.org

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