Acabou o recesso parlamentar e, com ele, o sossego de Hugo Motta, presidente da Câmara. Motta chegou a um dos cargos mais importantes do país — há quem diga o mais importante, dada a conjuntura atual — “vendendo” um perfil conciliador, moderado, quase institucional demais para o clima da política de hoje. E isso, neste momento, é mais problema do que virtude.
(Não há aqui juízo de valor, mas leitura de cenário.)
A Presidência da Câmara exige disposição para o enfrentamento. Isso é sintomático dos tempos atuais. Desde a era Eduardo Cunha, a Casa deixou, definitivamente, de ser espaço para quem tenta agradar todo mundo. Quem tenta costuma ser engolido.
No próprio Congresso, não é segredo para ninguém: já há quem descreva Motta como “café com leite” — alguém que não impõe custo, não cria temor político, não deixa claro até onde está disposto a ir. E presidir a Câmara, no contexto que descrevo, é sobre estofo e pulso.
O momento pede posicionamento claro — não necessariamente ideológico — e capacidade de aguentar o tranco quando a pressão vem de todos os lados: governo, oposição, Judiciário e opinião pública.
A comparação geracional é inevitável.
Hugo Motta tem 36 anos.
Arthur Lira, 56.
Rodrigo Maia, 55.
Eduardo Cunha, 67.
Idade, claro, não é tudo. Mas experiência de conflito conta. E muito.
Se quiser se firmar em 2026, complexo ano eleitoral, Motta terá de abandonar a lógica de agradar e assumir a de comandar. Presidente da Câmara não pode ser consenso permanente. Precisa ser, antes de tudo, respeitado — e, em alguma medida, temido.


