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Dominguinhos: o Brasil que cabe dentro de uma sanfona

Dominguinhos era daqueles músicos que parecem conversar com o instrumento. A sanfona não estava em suas mãos, estava em seu peito. Tocava como quem respira. José Domingos de Morais nasceu em Garanhuns, no coração do Nordeste, e ainda muito pequeno já acompanhava o pai em feiras, tocando para ganhar uns trocados. Ninguém imaginava que aquele garoto tímido se tornaria um dos maiores representantes da música brasileira.

Apadrinhado por Luiz Gonzaga, ele ganhou do Rei do Baião não só oportunidades, mas também uma missão: manter viva a memória do forró, do xote, do baião, do que pulsa na alma nordestina. Dominguinhos aceitou essa missão e foi além. Atualizou o ritmo com influências do jazz, da bossa nova, do choro. Transformou tradição em modernidade sem jamais abandonar suas raízes.

Enquanto muitos artistas encontram seu espaço pela performance teatral ou extravagância visual, Dominguinhos conquistava pelo contrário: pela simplicidade. Sua presença no palco era calma. Sua música falava por ele. Cada acorde parecia traduzir sentimentos que não cabem na fala. Saudade, amor, esperança, despedida, reencontro. Uma vida inteira cabe dentro de uma música sua.

Canções como “Eu Só Quero um Xodó”, “De Volta pro Aconchego” e “Lamento Sertanejo” atravessam décadas como hinos de quem olha para o Nordeste e se reconhece. Dominguinhos ajudou a contar essa história afetiva do Brasil. O sertão com suas dores e alegrias ganhou banda sonora eterna em sua sanfona.

Ouça abaixo “Eu Só Quero um Xodó”:

Ele era músico de músico. Todos queriam tocar com Dominguinhos. Sua capacidade de improviso era lendária. No palco, ele deixava o som correr solto e a plateia entrava em transe junto. Era como se a sanfona tivesse vontade própria, guiada por uma alma tranquila, quase zen.

Além da genialidade técnica, Dominguinhos representava uma brasilidade que pulsa longe dos holofotes centrais. O artista que veio da vida simples e se tornou grande sem nunca se afastar da sua origem. Tinha orgulho de ser do interior, de tocar música do povo, de traduzir o país real em melodia.

Sua partida, em 2013, deixou um vazio silencioso, mas não duradouro. A música de Dominguinhos continua ecoando em festas de São João, nas noites de lua cheia, nas lembranças de quem já dançou coladinho ao som da sua sanfona. O legado é tão forte que hoje novos artistas se assumem influenciados por ele com alegria e reverência.

Lembrar Dominguinhos é lembrar que o Brasil tem alma. Uma alma que sorrir mesmo quando chora, que recomeça mesmo quando sofre. Sua música é uma casa para onde podemos sempre voltar. Porque enquanto houver sanfona e amor, Dominguinhos vive.

Essa publicação é fruto de uma parceria especial entre a Novabrasil e o Fórum Brasil Diverso, evento realizado pela Revista Raça Brasil nos dias 10 e 11 de novembro, que celebra a diversidade, a cultura e a potência da música negra brasileira. Não perca a oportunidade de participar desse encontro transformador — inscreva-se já www.forumbrasildiverso.org

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