Dor nas costas é uma queixa frequente e, na maioria das vezes, está ligada a causas musculares ou ao desgaste natural da coluna. Mas, quando o incômodo persiste e não melhora com repouso ou analgésicos simples, pode haver algo mais sério por trás, como metástase na coluna, situação em que células tumorais se espalham e se instalam nas vértebras.
O neurocirurgião Baltazar Leão explica que a metástase vertebral pode provocar dor intensa, fragilizar o osso e aumentar o risco de fraturas. “Quando o tumor cresce na vértebra, ele pode comprometer a estabilidade da coluna e até comprimir a medula e as raízes nervosas, com risco de perda de função”, alerta o médico.
Embora seja mais comum em pessoas que já têm diagnóstico de câncer, o problema também pode ser a primeira manifestação de uma doença oncológica ainda desconhecida, o que reforça a importância de não ignorar sintomas persistentes.
Por que a coluna é um alvo frequente
A metástase na coluna ocorre quando células de um tumor em outra parte do corpo se disseminam pela corrente sanguínea ou pelo sistema linfático e passam a crescer nas vértebras. Entre os cânceres que mais frequentemente se associam a esse tipo de acometimento estão os de mama, próstata, pulmão e rim, além do mieloma múltiplo.
Isso acontece porque a coluna tem rica vascularização e presença de medula óssea, um ambiente que facilita a instalação dessas células. Com o avanço da lesão, o osso pode ficar frágil e romper com traumas mínimos, além de haver risco de compressão de estruturas nervosas.
Sintomas que não devem ser ignorados
O principal sinal é a dor nas costas persistente e progressiva, que costuma piorar à noite ou em repouso — diferente da dor mecânica, que geralmente melhora ao longo do descanso. A dor também pode não responder bem a medidas simples.
Outros sinais de alerta incluem:
- · fraqueza ou perda de sensibilidade em braços ou pernas;
- · formigamento;
- · dificuldade para caminhar;
- · alterações no controle urinário ou intestinal;
- · perda de peso sem explicação.
Baltazar Leão destaca que, nos casos de compressão da medula, a piora pode ser rápida. “Déficits neurológicos podem se tornar irreversíveis se a compressão não for identificada e tratada a tempo”, afirma.

Como é feito o diagnóstico e quais são os tratamentos
Para investigar a suspeita, médicos recorrem principalmente a exames de imagem, como ressonância magnética e tomografia, que ajudam a identificar a extensão da lesão e se há compressão de estruturas nervosas. Em algumas situações, uma biópsia pode ser necessária para confirmar a origem do tumor.
O tratamento costuma envolver uma equipe multidisciplinar, reunindo oncologia, radioterapia e cirurgia, de acordo com o quadro de cada paciente. A cirurgia pode ser indicada para estabilizar a coluna, reduzir a dor e aliviar compressões neurológicas, especialmente quando há risco de fratura ou perda de função. Radioterapia e terapias sistêmicas também fazem parte do controle da doença.
Mais do que combater a lesão localizada, a meta é preservar mobilidade, autonomia e qualidade de vida. Para o especialista, reconhecer cedo os sinais é decisivo. “Dor persistente na coluna, principalmente quando vem acompanhada de sintomas neurológicos, precisa de avaliação rápida para orientar a conduta correta”, conclui Baltazar Leão.


