Potências musicais: Mariene de Castro, Thalma de Freitas e Larissa Luz

Apesar de haver quem diga o contrário, a MPB contemporânea está repleta de grandes vozes. Principalmente mulheres. Potências musicais que ganham destaque na cena brasileira, mas que merecem ainda mais reconhecimento.

Hoje é dia de conhecermos um pouco mais sobre três dessas grandes artistas, que – coincidentemente – fazem aniversário nesta mesma semana: Mariene de Castro (que completou 48 anos em 12 de maio), Thalma de Freitas (que completa 52 anos hoje, dia 14) e Larissa Luz (celebrando 39 anos em 15 de maio).

Mariene de Castro

Nascida em Salvador, capital do estado da Bahia, a cantora e compositora Mariene de Castro despontou no cenário musical brasileiro identificada como uma força da natureza. 

Notória por exaltar a cultura afro-brasileira em sua obra, Roque Ferreira – seu conterrâneo e um dos compositores preferidos da cantora – intuiu certa vez que Mariene nunca subia ao palco sozinha: alguma força superior entrava com ela em cena.

Aos cinco anos, ela já se apresentava em espetáculos de dança no Teatro Castro Alves, em sua cidade natal. Seu contato com a música veio de família: eu sua casa, todo mundo cantava ou tocava algum instrumento. 

Aos doze anos, Mariene quis aprender a tocar violão e quando chegou à escola de música, fez um teste vocal que impressionou. Foi ali que ela começou a fazer aulas de canto e descobriu seu timbre especial.

A cantora começou a carreira profissional em 1995, fazendo vocais para a banda Cheiro de Amor e o grupo Timbalada, de Carlinhos Brown.

No ano seguinte, Mariene de Castro teve a oportunidade de realizar seu primeiro show solo, no Pelourinho. No mesmo dia, na plateia, estavam produtores franceses que se encantaram pela cantora e a convidaram para uma turnê por 20 cidades da França. 

Na ocasião, a baiana chegou a ser comparada pela crítica local à mítica cantora Edith Piaf, pela força de sua interpretação e a singularidade de seu timbre vocal.

De volta ao Brasil, Mariene passou a se apresentar nos principais palcos da Bahia e – em 2004 passou a ser a cantora principal do Bloco Cortejo Afro

Neste mesmo ano lançou o seu álbum de estreia “Abre Caminho”, que apresentou – entre outras – canções inéditas de Caetano Veloso (“Estrelas”) e Gerônimo (“Mulher”) e a faixa-título (composição da cantora em parceria com Roque Ferreira e J. Velloso).

O álbum ganhou o Prêmio Tim de Melhor Disco na categoria “Regional” e o Prêmio Rumos do Itaú Cultural.

Em 2008, a cantora fez turnê por várias cidades da Espanha, participou da trilha sonora do longa-metragem “Mujeres del Mundo”, e também da trilha sonora do filme “Ó, Paí, Ó!”, de Monique Gardenberg, interpretando a canção “Ilha de Maré” (dos baianos Walmir Lima e Lupa), que também já tinha entrado pro seu primeiro álbum.

Em 2010, Mariene de Castro lançou o CD e DVD “Santo de Casa – Ao Vivo”, gravado no Teatro Castro Alves. O disco, produzido por ela em parceria com Gerson Silva, interpretou alguns de seus trabalhos mais conhecidos e ainda incluiu inéditas em sua voz, como a clássica “Vi Mamãe Oxum Na Cachoeira” (Domínio Público). 

Em 2012, foi a vez  do álbum “Tabaroinha”, em que Mariene gravou sucessos como: “Ponto de Nanã” (de Roque Ferreira) e “Isto é Bom” (de Xisto Bahia), incluída na trilha sonora da novela “Lado a Lado”, da Rede Globo.

Ainda em 2012, Mariene apresentou o show “Ser de Luz”, incluído na série “Clara”, ciclo de homenagens à cantora Clara Nunes. O show virou um álbum ao vivo no ano seguinte. Em 2014 lançou, a cantora lançou o álbum “Colheita”, que contou com participações de Beth Carvalho, Maria Bethânia e Zeca Pagodinho e trouxe o sucesso em sua voz “Oxossi” (de Roque Ferreira).

Em 2016, Mariene participou da Cerimônia de Encerramento das Olimpíadas 2016, no Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, na qual interpretou “Pelo Tempo Que Durar” (de Marisa Monte e Adriana Calcanhotto), enquanto a pira olímpica era apagada, emocionando a plateia presente, ao para o mundo todo. 

Em 2019 lançou – ao lado do cantor e compositor pernambucano Almério – o álbum “Acaso Casa”, com o qual foi indicada ao ao Grammy Latino de 2020, na categoria“Melhor Álbum de Músicas de Raízes em Língua Portuguesa”.

O lançamento mais recente da artista é o álbum “Maria de Canção”, de 2023, em parceria com o também baiano Roberto Mendes, e que traz composições dele em parceria com outros grandes nomes como Capinan eJ. Veloso.

Thalma de Freitas

Uma das poucas mulheres brasileiras a serem indicadas ao Grammy Awards, maior premiação da música mundial, a atriz, cantora e compositora Thalma de Freitas nasceu no Rio de Janeiro, em 14 de maio de 1974, e recebeu aclamação da crítica musical por seu álbum “Sorte!”, desenvolvido em 2019, em parceria com o norte-americano John Finbury

Com o disco, Thalma foi indicada ao Grammy Award de Melhor Álbum de Jazz Latino.

A cantora é filha do pianista, arranjador, compositor e maestro Laércio de Freitas e iniciou a carreira profissional fazendo musicais na cidade de São Paulo.

Sua trajetória na atuação começou em 1992, em sua cidade natal, na produção brasileira do musical “Hair”. Em 1996, lançou o seu primeiro álbum, “Thalma”, com regravações e inéditas de composições em parceria e solo, cheio de R&B, baladas e dance music. Depois, em 2004, foi a vez de lançar o disco “Thalma de Freitas”.

A artista também atuou como crooner da big band brasileira Orquestra Imperial. Em 2007, gravou um disco com a banda chamado “Carnaval Só No Ano Que Vem”.

Em 2012, Thalma representou o Brasil na Cerimônia de Encerramento das Paralimpíadas de Londres, apresentando-se ao lado de Carlinhos Brown.

Se você conhece Thalma apenas pelas grandes atuações como atriz de novela e de cinema (ela ganhou um Kikito de Melhor Atriz Coadjuvante no Festival de Cinema de Gramado, pelo filme “As Filhas do Vento”, de Joel Zito Araújo), você também PRECISA conhecer a explosão e o talento que é Thalma de Freitas cantora e compositora.

Além disso, como atriz, Thalma de Freitas também atuou em obras como: 

  • A novela “Laços de Família” (2000), como Zilda
  • A novela “O Clone” (2001), como Carol
  • A novela “Kubanacan” (2003), como Dalila
  • A novela “Bang Bang” (2005), como Baiana
  • O filme “O Xangô de Baker Street” (2001), como Ana
  • A série “Dona Beja” (2024), como Josefa

Em 2025, com mais de 30 anos de carreira, Thalma de Freitas reajustou a bússola de sua trajetória determinada em se firmar como produtora de experiências culturais que elevam o espírito e expandem o pensamento. Neste mesmo ano, recebeu a medalha de Honra ao Mérito Cultural.

Larissa Luz

Cantora, compositora, apresentadora, curadora, produtora, ativista, atriz e empresária, Larissa Luz é múltipla e multi-talentosa.

Nascida em Salvador, na Bahia, em 15 de maio de 1987, Larissa estudou canto, teclado, violão e teatro e começou a carreira cantando em bares e casas noturnas da cidade. 

De 2007 a 2012, foi vocalista da banda AraKetu – com a qual gravou CDs e DVDs e apresentou-se em diversos palcos por todo o Brasil e fora dele. Em 2012, seguiu em carreira solo e lançou seu primeiro álbum, “Mudança”

Em 2015, foi contemplada com o troféu de Melhor Intérprete Feminina, no 1º Prêmio Caymmi de Música, realizado no Teatro Castro Alves, em Salvador.

Contemplando um discurso potente de empoderamento, ancestralidade e afrofuturismo, Larissa Luz lançou seu segundo trabalho, “Território Conquistado”, em 2016, sendo indicada ao Grammy Latino de Melhor Álbum Pop Contemporâneo em Língua Portuguesa.

Ainda em 2016, participou da Cerimônia de Abertura das Olimpíadas, no Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, acompanhando Elza Soares na canção “Canto de Ossanha”, de Baden Powell e Vinicius de Moraes.

Em 2018, Larissa Luz conquistou os palcos Brasil afora ao interpretar de forma primorosa Elza Soares na celebrada peça de teatro “Elza – O Musical”, da qual também foi co-diretora musical e com a qual recebeu o Prêmio Bibi Ferreira de Melhor Atriz em Musicais.

Em 2019, Larissa lançou seu terceiro álbum solo, “Trovão”, eleito um dos 25 melhores álbuns brasileiros do primeiro semestre daquele ano pela Associação Paulista de Críticos de Arte

Neste mesmo ano, integrou o time de canto da São Clemente, escola do grupo especial do Carnaval do Rio de Janeiro, cantando ao lado de Leozinho Nunes e Bruno Ribas, na reedição do samba-enredo “E O Samba Sambou”, de 1990.

Como curadora, em 2020, foi a responsável pelo line-up da primeira edição brasileira do Afropunk, um dos principais eventos de cultura negra do mundo. 

Larissa também foi uma das apresentadoras do programa “Saia Justa”, no canal GNT, em 2022, mesmo ano em que lançou o EP “Deusa Dulov (Vol 1)”.

Seu EP mais recente foi lançado em 2024, “Fio Pavio”. Além disso, Larissa atuou nos longas “Mussum, o Filmis” (2023) e “Evidências do Amor” (2024) e interpretou a protagonista Bibiana na adaptação para os palcos da obra de Itamar Vieira Júnior, “Torto Arado”, recebendo por esta atuação indicações para o prêmio APCA e prêmio Shell de Melhor Atriz.

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