RÁDIO AO VIVO
Botão TV AO VIVO TV AO VIVO
Botão TV AO VIVO TV AO VIVO Ícone TV
RÁDIO AO VIVO Ícone Rádio

E se cada livro tivesse uma música obrigatória? Uma trilha sonora

Tem livro que não termina quando você fecha a última página. Tem música que continua ecoando muito depois do último acorde. E quando essas duas artes se encontram, algo raro acontece: a leitura ganha ritmo, a canção ganha narrativa e ambas passam a habitar o mesmo lugar dentro de quem lê e escuta. De quem sente o livro.

Algumas obras parecem carregar uma trilha sonora secreta entre as páginas. Outras praticamente pedem um play antes mesmo do primeiro capítulo. Pensando nisso, a Novabrasil imaginou como seria se certos livros viessem com uma faixa obrigatória, daquelas para tocar no repeat enquanto a história acontece.

No fim das contas, talvez todo grande livro mereça mesmo uma trilha sonora. Porque há histórias que pedem silêncio, mas há outras que exigem música alta no fone para serem sentidas por inteiro.

Entre dores íntimas, denúncias sociais, ancestralidade e esperança, reunimos seis encontros perfeitos entre literatura brasileira e música nacional.

1 – O Peso do Pássaro Morto + Maria da Vila Matilde

Aline Bei + Elza Soares

O romance de estreia de Aline Bei, “O Peso do Pássaro Morto” (de 2017) acompanha a trajetória de uma mulher atravessada por perdas, violências e silêncios desde a infância até a vida adulta. Escrito em versos fragmentados e profundamente confessionais, o livro expõe a dor feminina em sua forma mais crua e cotidiana.

Maria da Vila Matilde”, composição de Douglas Germano na voz rasgada de Elza Soares (de 2015), transforma sofrimento em enfrentamento. É grito, ruptura e resistência.

Juntas, obra e canção formam um retrato brutal e necessário da violência contra a mulher e, sobretudo, da força que nasce quando o silêncio finalmente se quebra.

2 – A Noite Escura e Mais Eu + O Que Será (À Flor da Pele)

Lygia Fagundes Telles + Chico Buarque

Nos contos de Lygia Fagundes Telles, o desejo nunca vem em linha reta. Ele aparece em forma de obsessão, ausência, angústia e mistério. “A Noite Escura e Mais Eu” (de 1995) mergulha nos labirintos emocionais de personagens que vivem à beira do abismo íntimo.

Poucas músicas traduzem melhor esse estado de espírito do que “O Que Será (À Flor da Pele)”. A canção de Chico Buarque (de 1976) captura com perfeição esse sentimento que transborda, sufoca e não cabe no nome.

3 – Contos Negreiros + Haiti

Marcelino Freire + Gilberto Gil e Caetano Veloso

Incisivo, provocador e impossível de ignorar, “Contos Negreiros” (de 2005), usa a ficção curta para escancarar o real racismo estrutural, a desigualdade e a brutalidade social brasileira. Marcelino Freire escreve como quem golpeia sem anestesia.

Haiti”, clássico de Gilberto Gil e Caetano Veloso, opera na mesma frequência: denúncia frontal, desconforto e crítica sem filtro. Livro e música se encontram no retrato de um país que insiste em esconder suas feridas enquanto elas seguem abertas.

4 – Torto Arado + Sustenta a Pisada

Itamar Vieira Junior + Cátia de França

Há terra, espiritualidade, luta e resistência em cada página de “Torto Arado”. O romance de Itamar Vieira Junior fala sobre herança, ancestralidade, desigualdade agrária e sobrevivência no sertão baiano, costurando tudo isso com lirismo e força política.

A canção “Sustenta a Pisada”, de Cátia de França (de 1979),carrega a mesma pulsação de chão batido, de povo em movimento, de resistência que não se curva. É como se a música pudesse tocar ao fundo de cada caminhada de Bibiana e Belonísia.

5 – Olhos D’Água + Uanga

Conceição Evaristo + Luedji Luna e Lande Onawale

Os contos de “Olhos D’Água” (de 2014) falam de mulheres negras, maternidade, pobreza, memória e sobrevivência com uma delicadeza que nunca enfraquece sua potência. Conceição Evaristo escreve como quem transforma vivência em poesia e denúncia.

A canção“Uanga”, de Luedji Luna e Lande Onawale (de 2020),compartilha dessa mesma dimensão espiritual, ancestral e profundamente feminina. Há dor, mas também força; há vulnerabilidade, mas também encanto. Uma combinação que pulsa como reza.

6 – Ideias Para Adiar o Fim do Mundo + Planeta Água

Ailton Krenak + Guilherme Arantes

No livro de Ailton Krenak, “Ideias Para Adiar o Fim do Mundo” (de 2019), o fim do mundo não é metáfora distante, é urgência cotidiana. O pensador indígena propõe uma reflexão contundente sobre humanidade, natureza e a lógica destrutiva da modernidade.

Décadas antes, em “Planeta Água” (de 1981), Guilherme Arantes já cantava a centralidade da natureza na existência humana com beleza e consciência ambiental. Juntas, as duas obras lembram que preservar o planeta talvez seja o gesto mais radical – e mais necessário – do nosso tempo.

COMPARTILHAR:

Participe do grupo e receba as principais notícias de Campinas e região na palma da sua mão.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do WhatsApp.

NOTÍCIAS RELACIONADAS