A rodada recente da NBA foi marcada por uma cena que chocou o mundo do basquete. O ala do Golden State Warriors, Moses Moody, sofreu uma ruptura do tendão patelar do joelho esquerdo durante um contra-ataque contra o Dallas Mavericks. Segundo o ortopedista e especialista em Medicina Esportiva, Dr. Rodrigo Martinez, essa é uma das lesões mais graves do aparelho extensor do joelho.
O que é o tendão patelar e por que ele é vital?
O tendão patelar é uma estrutura de alta resistência que conecta a patela (rótula) à tíbia. Ele atua como um sistema de transmissão de força fundamental para movimentos explosivos. De acordo com o Dr. Martinez, esse tendão é responsável por funções essenciais, como:
- Extensão da perna e corrida;
- Saltos e aterrissagens;
- Mudanças bruscas de direção;
- Desaceleração rápida.
Portanto, quando ocorre uma ruptura completa, o atleta perde totalmente a capacidade de estender o joelho, tornando impossível caminhar ou saltar.
Biomecânica: Por que a lesão ocorreu no salto?
No caso de Moody, o mecanismo foi o clássico “colapso” durante a fase de impulsão para uma enterrada. Durante esse movimento, o quadríceps realiza uma contração explosiva enquanto o joelho está flexionado.
Embora o tendão patelar suporte cargas de até 8 vezes o peso corporal, forças extremas em atletas de alto rendimento podem causar a falha estrutural. Como resultado, o joelho cede imediatamente, como visto na transmissão ao vivo.
O paralelo histórico com Ronaldo Fenômeno
É impossível falar de ruptura de tendão patelar sem citar Ronaldo Nazário. Em 2000, o mundo assistiu ao “Fenômeno” sofrer a mesma lesão na final da Copa da Itália.
“Naquela época, lesões desse tipo frequentemente encerravam carreiras”, relembra o Dr. Rodrigo Martinez.
Contudo, a medicina esportiva evoluiu drasticamente desde o caso de Ronaldo. Atualmente, técnicas cirúrgicas com âncoras ósseas e protocolos modernos de fisioterapia neuromuscular permitem que atletas como Moses Moody tenham ótimas chances de retornar ao alto nível, embora o tempo de recuperação varie entre 9 e 12 meses.
O desafio da reabilitação
O tratamento para rupturas completas é invariavelmente cirúrgico. Após o procedimento, o foco principal é a reconstrução da confiança no movimento e o fortalecimento do quadríceps.
Em suma, o caminho para Moody será longo e exigirá disciplina. No entanto, com os avanços da traumatologia do esporte, o ala tem tudo para seguir os passos de superação de Ronaldo e voltar a brilhar nas quadras da NBA.


