Menopausa e canetas emagrecedoras: quando esses remédios podem ajudar no peso

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O ganho de peso e o aumento de gordura na região da barriga são queixas frequentes entre mulheres que entram na menopausa — e isso não se resume a “falta de força de vontade”. O médico nutrólogo Guilherme Giorelli afirma que as mudanças hormonais dessa fase podem tornar o metabolismo menos eficiente e dificultar o emagrecimento, mesmo quando a rotina não muda.

No Brasil, a obesidade já atinge 26,8% dos adultos, segundo a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) 2019, divulgada pelo IBGE. Entre mulheres de 40 a 50 anos, a proporção chega a 34,4%, a maior entre as faixas etárias analisadas — um dado que coincide com o período em que muitas começam a atravessar a transição para a menopausa.

A menopausa costuma ocorrer, em média, entre 48 e 51 anos. Nessa fase, a queda do estrogênio pode favorecer mudanças corporais como redução de massa muscular e maior tendência ao acúmulo de gordura abdominal. “Menos músculo significa menos calorias queimadas em repouso, mesmo sem mudar nada na rotina”, explica Giorelli.

Além do fator hormonal, o contexto de vida também pesa. Mudanças familiares e profissionais, maior carga de responsabilidades e preocupação com saúde de familiares podem afetar o estresse e o sono. O especialista destaca que noites ruins atrapalham os mecanismos de fome e saciedade, criando um cenário que pode facilitar o ganho de peso.

Alimentação e exercício bastam para todo mundo?

Dieta equilibrada e atividade física seguem como base do controle de peso em qualquer idade, mas nem sempre são suficientes para todas as mulheres na menopausa. Giorelli afirma que há casos em que as alterações metabólicas tornam o processo mais difícil, exigindo uma estratégia médica mais ampla.

Dentro desse plano, o treino de força ganha papel central por ajudar a preservar ou recuperar massa muscular — um ponto considerado crítico nessa etapa. “O treino de força merece destaque especial. É ele que preserva a massa muscular e mantém o metabolismo funcionando”, afirma o médico.

Foto: Freepik.

Quando as canetas emagrecedoras entram no tratamento

Medicamentos conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras”, que se popularizaram nos últimos anos, podem ser indicados em situações específicas para tratar obesidade também durante a menopausa. Giorelli explica que essas medicações, como os análogos de GLP-1 (caso da semaglutida) e os agonistas duplos GLP-1/GIP (como a tirzepatida), atuam reduzindo o apetite, melhorando a sensibilidade à insulina e favorecendo uma perda de peso relevante.

Na prática, a decisão não é automática. A indicação precisa levar em conta critérios clínicos, histórico do paciente e metas terapêuticas. “A indicação, como sempre, precisa ser individualizada”, destaca o especialista.

Outra possibilidade é o uso combinado com reposição hormonal, quando há indicação médica para isso. Segundo Giorelli, as abordagens podem se complementar: a reposição hormonal atua sobre a deficiência de estrogênio e pode melhorar aspectos metabólicos, enquanto os medicamentos para obesidade ajudam no controle do peso e da resistência à insulina. “São abordagens complementares, não concorrentes”, afirma.

Cuidados: não olhar só a balança

Um ponto de atenção, especialmente na menopausa, é que a perda de peso pode vir acompanhada de redução de massa muscular — algo indesejável nessa fase. Por isso, o acompanhamento deve ir além do número na balança, com monitoramento da composição corporal.

O especialista reforça que treino de força e ingestão adequada de proteínas são partes essenciais do plano quando há uso desses medicamentos. Também podem ser necessários acompanhamentos de saúde óssea e outros marcadores, conforme avaliação médica. “O objetivo final não é um número menor na balança. É uma composição corporal mais saudável e, acima de tudo, mais qualidade de vida”, afirma Giorelli.

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