Fascite plantar: dor na planta do pé exige atenção e pode ser evitada

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Sentir dor na planta do pé logo cedo, especialmente ao dar os primeiros passos do dia, pode ser mais do que um simples incômodo passageiro. Trata-se, muitas vezes, de um sinal de fascite plantar — inflamação de uma tira de tecido, chamada fáscia plantar, que sustenta o arco do pé e é responsável por cerca de 15% das queixas de dor no calcanhar ou sola dos pés.

No consultório, não é raro receber pessoas que chegam a interromper seus treinos ou até as atividades de trabalho por conta desse problema. “Muitos se surpreendem ao descobrir que a origem está na inflamação da fáscia plantar, e mais ainda ao perceber o quanto é possível melhorar com tratamento direcionado e medidas simples de prevenção”, explica a médica ortopedista Marina Melhado.

Fáscia plantar: por que ela inflama?

A fáscia plantar desempenha papel fundamental na absorção de impactos do corpo e na sustentação do peso durante a marcha. Fatores como sobrecarga repetitiva e alterações na postura podem causar pequenas lesões nesse tecido, resultando em dor e inflamação crônica.

Segundo a especialista, os principais fatores de risco para a fascite plantar incluem:

  • Alterações biomecânicas, como pé plano ou cavo;
  • Excesso de peso;
  • Prática de atividades de impacto, como corrida e dança;
  • Sedentarismo, que diminui a flexibilidade e a força muscular;
  • Uso inadequado de calçados, principalmente aqueles com solado muito rígido ou sem suporte para o arco plantar.

“Estudos mostram que a incidência é maior entre os 40 e 60 anos, mas a doença pode afetar até adultos jovens, especialmente atletas ou profissionais que passam muitas horas em pé”, ressalta Marina.

Foto: Divulgação.

Tratamentos modernos e prevenção ajudam a retomar a rotina

O tratamento da fascite plantar evoluiu e hoje é considerado multidisciplinar, aliando reabilitação funcional, alívio da dor e correção postural. “Técnicas como liberação miofascial, alongamentos específicos e fortalecimento da musculatura dos pés apresentaram eficácia superior ao repouso isolado”, afirma a médica, citando estudos que apontam redução da dor e melhora significativa da função após oito semanas de exercícios direcionados.

Outras opções de tratamento incluem:

  • Palmilhas ortopédicas sob medida: promovem realinhamento postural e redistribuição da pressão em casos de deformidade nos pés.
  • Terapia por ondas de choque extracorpóreas (TOC): inovação que estimula a regeneração dos tecidos e diminui a dor de modo não invasivo. Uma metanálise recente mostrou sua eficácia mesmo em casos crônicos.
  • Analgésicos, crioterapia, infiltrações de corticoides ou agentes regenerativos: indicados somente em situações específicas e sempre com orientação médica.

Calçado faz a diferença na prevenção e recuperação

O tipo de calçado utilizado é fundamental no sucesso do tratamento e na prevenção. Sapatos com solado muito rígido, salto baixo ou sem suporte para o arco podem piorar o quadro. “Calçados com bom amortecimento, leve elevação do calcanhar e estrutura anatômica são aliados importantes para aliviar a tensão da fáscia”, recomenda Marina.

Para quem está em tratamento, é importante evitar andar descalço – inclusive em casa – e dar preferência para modelos de sapatos que absorvam impactos. Esportistas também devem escolher tênis adequados ao tipo de pisada e à modalidade praticada.

A fascite plantar não deve ser negligenciada. “Quando ignorada, pode se tornar uma dor crônica incapacitante, com impacto direto na qualidade de vida”, finaliza a especialista. Diagnóstico precoce, tratamento baseado em evidências e pequenas mudanças no dia a dia, como a adoção de bons calçados, são essenciais para garantir a volta ao bem-estar e autonomia ao caminhar.

Se a dor nos pés tem feito parte da sua rotina, procure avaliação especializada. Afinal, a saúde dos pés sustenta não só o corpo, mas todo o caminho da vida.

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