Há quem diga que é mais um corolário da Doutrina Monroe. Ela foi editada pelo presidente americano no início do século 19 como uma reação a uma tentativa das potências europeias intervirem na América Latina, onde estavam suas ex-colônias. “América para os Americanos” é o bordão que esconde que o continente latino-americano é uma área de influência dos Estados Unidos. Ao sul do rio Grande não se admite a interferência de nenhuma outra nação.
A história é testemunha das invasões e guerras dos norte-americanos para manter essa hegemonia sob as mais variadas justificativas. Guerra Fria, com a crise dos foguetes em Cuba e a ameaça de uma guerra nuclear com a União Soviética, até incursões sob o pretexto de que dirigentes latinos fazem parte de cartel de drogas.
O esforço para brecar o envio de cocaína para os Estados Unidos mira alguns países acusados de produção e transporte da droga para o mercado mundial. A origem, todo mundo sabe, está no conjunto representado pela Colômbia, Bolívia e Peru. Já as portas de saída da droga são identificadas com a Venezuela, Panamá e outras nações do Caribe.
O governo americano tem investido milhões de dólares no combate ao tráfico, mas os resultados são pífios. Além dos cartéis, há o envolvimento de políticos e governos locais com a participação até de presidentes da república. Com isso há sempre a ameaça dos marines desembarcarem para derrubar um governo e, se possível, prender o chefe do governo, acusado, também, de chefe do tráfico. A esquerda latino-americana se divide em apoio e acusações contra a intervenção yankee.
Os Estados Unidos estão de olho no presidente da república. Há contra ele uma condenação por um grande júri, ligando-o, de fato, ao tráfico de drogas. O principal mercado
delas é o americano. O presidente latino é considerado ditador, com apoio dos militares, e manipulador das eleições realizadas no país. Manda prender opositores políticos e as cadeias estão lotadas de presos. É um fanfarrão. Ameaça entrar em guerra com os Estados Unidos e isso é o pretexto que leva o Tio Sam a mandar suas tropas para prender o ditador.
Manuel Noriega foge e se esconde no interior do Panamá, mas é alcançado pelas forças invasoras. Levado preso aos Estados Unidos, é condenado a 40 anos de prisão por tráfico internacional de drogas. A ação americana na capital panamenha é condenada pela ONU, OEA e União Europeia. O presidente George W. Bush alega que a operação é justa e ignora as críticas e condenações internacionais. A esquerda latino-americana rotula a invasão do Panamá de imperialismo.



