Idosos sentem menos sede e correm mais risco de desidratação; entenda os sinais

A água é essencial em qualquer fase da vida, mas, na velhice, um detalhe torna tudo mais delicado: a sede pode diminuir, enquanto a necessidade de líquidos continua. O resultado é um risco maior de desidratação, muitas vezes sem alarde.

A geriatra Julianne Pessequillo alerta que esse é um problema comum e perigoso. “A diminuição da sensação de sede é uma alteração comum e perigosa no envelhecimento”, afirma. Segundo ela, o quadro pode ser silencioso e, em muitos casos, “quando o idoso sente sede, ele já está desidratado”.

Por que a sede diminui com a idade

De acordo com a médica, a redução da sensação de sede tem relação com mudanças no cérebro, especialmente no “centro da sede”, que fica no hipotálamo. Com o passar dos anos, podem ocorrer:

  • · Diminuição da sensibilidade dos receptores que ajudam a detectar a necessidade de água;
  • · Resposta hormonal menos eficiente, especialmente da vasopressina;
  • · Menor percepção das variações de concentração de líquidos no sangue.

Além disso, fatores do dia a dia pesam bastante. Medo de incontinência urinária, dificuldade para ir ao banheiro, limitações de mobilidade e até crenças de que “beber pouca água é normal na idade” podem reduzir ainda mais a ingestão de líquidos.

Quais problemas a desidratação pode causar

Beber menos do que o necessário aumenta o risco de desidratação, que pode ocorrer de forma subclínica, mas suficiente para provocar complicações importantes. Entre as principais consequências citadas no texto estão:

  • · Quedas por queda de pressão ao se levantar, além de cefaleia, fadiga e piora do desempenho funcional;
  • · Piora da função renal e aumento de infecções urinárias recorrentes;
  • · Alterações de sais minerais do corpo (desequilíbrios hidroeletrolíticos);
  • · Mais internações e piora de quadros em pessoas com diabetes, doença renal crônica e insuficiência cardíaca;
  • · Mais confusão mental e constipação intestinal.

Os sinais de alerta podem incluir sonolência, fraqueza e prostração, menor interação, tontura ao se levantar (com risco aumentado de queda), boca e lábios secos, urina escura ou em pouca quantidade e confusão mental.

Foto: Freepik.

Quanto de água é “ideal” e como incentivar

A quantidade necessária varia, mas a médica propõe um cálculo simples para idosos robustos e sem contraindicação clínica para restrição de líquidos: cerca de 30 ml de água por quilo de peso por dia, considerando também outras fontes, como chás, sopas e frutas.

Na prática, estimular pode ser mais eficaz do que cobrar. Entre as estratégias sugeridas no texto estão:

  • · Deixar garrafas e copos em locais visíveis e de fácil acesso, espalhados pela casa;
  • · Associar água a rotinas (ao acordar, antes das refeições, junto com medicamentos);
  • · Variar as opções: água aromatizada, chás claros, água de coco, gelatina e frutas ricas em água. “No caso dos idosos, o ideal é oferecer 50% de água e o restante em outras formas.”

A especialista também chama atenção para um ponto que costuma confundir famílias e cuidadores: boca seca nem sempre significa sede. A baixa produção de saliva é comum em idosos e pode estar ligada ao uso de medicamentos como diuréticos, remédios para pressão e antidepressivos.

No fim, a mensagem é direta: sentir menos sede não significa precisar de menos água. Por isso, criar lembretes, combinar pequenas metas ao longo do dia e até usar alarmes no celular pode ajudar a manter a hidratação e reduzir complicações, preservando funcionalidade e qualidade de vida.

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